Justiça dos EUA libera mais 3 milhões de arquivos do caso Epstein com citações ao Brasil
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos realizou na sexta-feira, dia 30, uma divulgação massiva de documentos relacionados ao caso do bilionário Jeffrey Epstein. Foram liberadas mais de 3 milhões de páginas que detalham as investigações sobre a rede de tráfico sexual comandada pelo empresário, falecido em circunstâncias controversas na prisão em 2019.
Esquema criminoso e alcance internacional
Segundo as acusações, Epstein explorou sexualmente mais de 250 meninas menores de idade entre 2002 e 2005. O esquema funcionava através do pagamento em dinheiro para que adolescentes fossem até suas propriedades em Nova York, Flórida, Novo México e em uma ilha particular no Caribe. As vítimas também eram recrutadas para trazer outras garotas para a rede criminosa.
Trajetória judicial e morte na prisão
A primeira investigação contra Epstein ocorreu em 2005, mas somente em 2019 ele foi preso e formalmente acusado por abuso de menores e operação de rede de exploração sexual. O bilionário foi encontrado morto em sua cela em agosto do mesmo ano, com a autópsia concluindo por suicídio. Dois dias antes de morrer, ele assinou testamento deixando patrimônio superior a US$ 577 milhões.
Nomes revelados e conexões políticas
Os novos documentos citam diversas personalidades americanas e internacionais que frequentavam o círculo de Epstein. Entre os nomes mencionados estão:
- Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos
- Príncipe Andrew do Reino Unido
- Donald Trump, atual presidente americano
Os arquivos incluem 180 mil imagens e mais de 2 mil vídeos, com detalhes sobre o período de prisão de Epstein e sua relação com figuras públicas. E-mails revelam discussões sobre apresentar mulheres jovens ao príncipe Andrew e múltiplas citações a Donald Trump.
Conexões brasileiras no caso
Os documentos liberados trazem menções específicas ao Brasil em diversos contextos:
- Relação de Epstein com um "agente" que teria conseguido garotas menores quando o bilionário esteve no país
- Pelo menos quatro brasileiras, incluindo adolescentes, levadas para festas em propriedades de Epstein nos EUA
- Discussões sobre compra de agência de modelos no Brasil e criação de concurso de beleza com investimento de US$ 500 mil
- Interesse em adquirir revista de moda brasileira através de sociedade
- Citações aos ex-presidentes Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva em e-mails, sem relação direta com o escândalo sexual
Pressão política e divulgação de arquivos
Durante a campanha de 2024, Donald Trump prometeu tornar públicos arquivos secretos sobre o caso Epstein. Em fevereiro de 2025, seu governo liberou parte dos documentos, mas a expectativa por uma "lista de clientes" não se concretizou. Em novembro, Trump sancionou lei aprovada no Congresso americano que determina a divulgação completa de todos os arquivos da investigação.
Os novos materiais reforçam a complexidade internacional do caso Epstein, que continua gerando repercussões políticas e judiciais anos após a morte do principal acusado. As conexões brasileiras reveladas nos documentos ampliam o alcance geográfico do esquema criminoso que envolveu centenas de vítimas em múltiplos países.



