Documentos do caso Epstein revelam possível atuação no Brasil com 4.000 menções
Epstein no Brasil: documentos indicam tráfico e planos na moda

Documentos do caso Epstein apontam possível atuação do agressor sexual no Brasil com 4.000 menções

Novos documentos relacionados ao caso Jeffrey Epstein, divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, indicam uma possível atuação do falecido agressor sexual no Brasil. Segundo levantamento da BBC News Brasil, há aproximadamente 4.000 menções ao país nos arquivos liberados até o momento, revelando conexões preocupantes com tráfico de menores e planos no mercado da moda brasileira.

Depoimentos revelam viagens e tráfico de meninas brasileiras

Um dos documentos-chave é um depoimento prestado à Justiça da Flórida em junho de 2010, no qual uma testemunha, com nome omitido, afirma que Jeffrey Epstein viajava ao Brasil para se encontrar com clientes. A testemunha, que trabalhou para o francês Jean-Luc Brunel, ex-agente de modelos e parceiro próximo de Epstein, relatou que o financista mantinha contato com uma mulher no Brasil que lhe fornecia garotas para prostituição, incluindo menores de idade, durante suas estadias no país.

Jean-Luc Brunel, acusado de tráfico de mulheres e crimes sexuais contra meninas entre 15 e 18 anos na França, foi encontrado morto em uma prisão em Paris em 2022. A ex-funcionária da agência de modelos de Brunel afirmou que a empresa não dava lucro, mas era sustentada financeiramente por Epstein, sugerindo que o interesse do financista estava nas jovens do portfólio.

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Segundo o depoimento, quatro garotas brasileiras teriam sido levadas por Brunel a uma festa na casa de Epstein nos Estados Unidos, com pelo menos duas delas tendo entre 13 e 15 anos de idade. Epstein teria pago os vistos para que as meninas entrassem no país, evidenciando um esquema organizado. O documento também menciona uma "agente mãe" no Brasil, que apresentava garotas a Brunel, e outra pessoa que forneceria prostitutas "quando necessário".

Interesse em expandir atuação através do mercado da moda brasileira

Além dos depoimentos, os arquivos contêm diversas trocas de e-mails que mostram o interesse de Epstein em expandir sua atuação no Brasil por meio do mercado da moda. Em mensagens de 2016, ele discute a possibilidade de comprar uma agência de modelos no país ou criar um concurso de beleza com alcance nacional, envolvendo milhares de participantes com um investimento estimado em US$ 500 mil.

O objetivo declarado nas mensagens era ter acesso a modelos jovens e pouco conhecidas. Uma mensagem enviada a Epstein dizia: "Não tenho certeza se você quer ser dono de 100% de qualquer agência, a não ser que você encontre algum outro incentivo para manter as principais pessoas que estão lá gerenciando o negócio. Estou presumindo que você está mais interessado no acesso às... (emoji de uma garota loira)".

Em outra série de e-mails de agosto de 2016, Epstein e um parceiro conversam sobre a compra de uma revista de moda brasileira como forma de atrair modelos. Um e-mail afirmava: "Uma revista de moda brasileira está à venda. Se conseguirmos comprá-la por um preço baixo, você gostaria de comprá-la conosco? Todos os castings podem ser feitos em Nova York, então você poderia facilmente ter de 20 a 30 garotas tentando a capa todos os meses. É só uma ideia...".

A negociação avançou, com discussão de uma possível oferta de US$ 200 mil por uma participação minoritária na empresa, mas foi abandonada devido a receios de prejuízo financeiro. Esses planos destacam como Epstein buscava usar estruturas legítimas do setor da moda para facilitar atividades criminosas.

Contexto do caso e implicações para o Brasil

Jeffrey Epstein cometeu suicídio em 2019 enquanto aguardava julgamento por crimes sexuais nos Estados Unidos. A divulgação desses documentos reforça as alegações de que sua rede de abuso tinha alcance internacional, com o Brasil emergindo como um foco significativo nas investigações.

A testemunha no depoimento de 2010 comentou sobre o poder financeiro de Epstein no contexto brasileiro: "Jeffrey Epstein tem todo o dinheiro que tem, ele podia calar todo mundo. Cinco mil dólares no Brasil é muito dinheiro. Dá pra comprar uma casa". Essa observação sublinha como a disparidade econômica pode ter sido explorada para facilitar crimes.

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As revelações levantaram questões sobre a necessidade de investigações mais aprofundadas no Brasil para esclarecer a extensão da atuação de Epstein e seus associados no país, especialmente considerando as milhares de menções nos documentos.