Segunda morte por ICE em Minneapolis em três semanas: Enfermeiro Alex Pretti é baleado
Alex Jeffrey Pretti, um enfermeiro de terapia intensiva de 37 anos, morreu no sábado em Minneapolis após ser baleado por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos, conhecido como ICE. Este trágico incidente marca a segunda morte causada por agentes dessa agência federal no intervalo de apenas três semanas na mesma cidade do estado de Minnesota, reacendendo debates sobre violência policial e operações anti-imigração.
Versões conflitantes e alegações de legítima defesa
A porta-voz do Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, afirmou à Associated Press, por meio de mensagens de texto, que Alex Pretti estava portando uma arma de fogo com dois carregadores no momento do confronto. Ela descreveu a situação como "em evolução" e alegou que os agentes teriam agido em legítima defesa, justificando o uso da força letal.
No entanto, essa narrativa oficial é contestada por testemunhas oculares, familiares da vítima e autoridades locais. Múltiplas fontes afirmam que Pretti não estava armado durante o episódio, contradizendo diretamente a versão apresentada pela administração federal. O governador de Minnesota, Tim Walz, denunciou publicamente o ocorrido como "mais um tiroteio horrível cometido por agentes federais" e pediu ao então presidente Donald Trump que encerrasse a operação anti-imigração no estado.
Quem era Alex Pretti: Enfermeiro e ativista
Alex Pretti era um cidadão norte-americano nascido no estado de Illinois, trabalhando como enfermeiro de terapia intensiva na Administração de Veteranos, órgão governamental dedicado a veteranos de guerra. Seu pai, Michael Pretti, revelou à Associated Press que o filho era um amante da natureza e havia participado ativamente dos protestos em Minneapolis após a morte de Renee Good, a primeira vítima fatal do ICE na cidade em 7 de janeiro.
"Ele se importava profundamente com as pessoas e estava muito chateado com o que vinha acontecendo em Minneapolis e em todos os Estados Unidos com o ICE", disse Michael Pretti. A família destacou que Alex não tinha antecedentes criminais e nunca havia tido interações significativas com a polícia, exceto por algumas multas de trânsito, reforçando seu perfil pacífico.
Vídeos nas redes sociais mostram agressão e tiros
Horas após o incidente, diversos vídeos começaram a circular nas redes sociais, documentando os momentos finais de Alex Pretti. Nas imagens, é possível observar um grupo de aproximadamente cinco agentes do ICE imobilizando o enfermeiro no chão. Em um determinado instante, Pretti parece conseguir se ajoelhar e começar a se levantar, quando súbitos disparos são efetuados.
Um dos vídeos captura uma mulher que, ao gravar a cena de relativa proximidade, começa imediatamente a correr enquanto grita, refletindo o pânico do momento. Em outra gravação feita do interior de um estabelecimento comercial, um jovem expressa incredulidade, repetindo: "Ele está morto. Mataram ele." Esses registros visuais têm alimentado debates públicos sobre a conduta dos agentes.
Reação política e acusações de insurreição
O presidente Donald Trump respondeu ao caso acusando o prefeito de Minneapolis e o governador Tim Walz de "incitar à insurreição com sua retórica pomposa, perigosa e arrogante", conforme publicado em sua plataforma Truth Social. Trump defendeu que a polícia anti-imigração deve ser deixada em paz para "fazer o seu trabalho" e afirmou que "o ICE teve de se proteger" durante o incidente.
Essas declarações contrastam fortemente com as posições de autoridades locais, que têm criticado a presença e as ações dos agentes federais no estado, criando um cenário de tensão política acentuada.
Protestos se espalham por várias cidades dos EUA
Milhares de pessoas foram às ruas em diversas das maiores cidades dos Estados Unidos para protestar contra a morte de Alex Pretti. As manifestações começaram em Minneapolis, onde mais de mil participantes realizaram uma vigília no Parque Whittier, próximo ao local do ocorrido, iluminando o espaço com velas e exibindo cartazes contra o ICE.
Os protestos rapidamente se expandiram para outros centros urbanos importantes, incluindo:
- Los Angeles, onde multidões ocuparam ruas principais
- Nova York, com concentrações em pontos simbólicos
- Seattle, Washington e Chicago, registrando adesão significativa
Esses atos públicos refletem um crescente movimento de contestação contra as operações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas, especialmente após a segunda morte em tão curto intervalo temporal. A comoção em torno do caso de Alex Pretti evidencia as profundas divisões sociais e políticas sobre imigração e uso da força no país.