Brasil registra quinto ano seguido de queda em homicídios, mas feminicídios atingem recorde histórico
Queda em homicídios no Brasil, mas feminicídios batem recorde

Brasil mantém tendência de redução em homicídios pelo quinto ano consecutivo

O Brasil alcançou um marco significativo na segurança pública ao registrar o quinto ano seguido de queda nas mortes violentas intencionais. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, o país contabilizou 34.086 casos de homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios e lesões seguidas de morte em 2025, representando uma redução de 11% em comparação com os 38.374 registros do ano anterior.

Dados ainda incompletos revelam cenário promissor

Os números apresentados não incluem as estatísticas referentes ao mês de dezembro nos estados de São Paulo e Paraíba, que ainda não foram incorporados ao sistema federal. Considerando as médias mensais desses estados - 228 casos em São Paulo e 79 na Paraíba - estima-se que o balanço nacional possa aumentar em aproximadamente 300 ocorrências. Mesmo com essa projeção, a queda anual se manteria em 10,4%, consolidando uma tendência positiva que vem se estabelecendo desde 2021.

Cinco anos de redução acumulam queda de 25% desde 2020

A trajetória descendente nas estatísticas de violência letal representa uma mudança substancial no cenário brasileiro. Desde o pico histórico de mais de 60 mil assassinatos registrado em 2017, o país vem experimentando reduções consistentes, com exceção do ano de 2020, quando os números apresentaram aumento impulsionado principalmente pela região Nordeste.

Especialistas apontam múltiplos fatores para essa tendência de melhoria:

  • Mudanças nas dinâmicas das facções criminosas, com menor intensidade nos conflitos por território
  • Implementação de políticas públicas específicas na área de segurança
  • Contexto eleitoral que estimula ações governamentais voltadas para a redução da criminalidade

Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, destaca que "foi um ano em que o crime organizado esteve mais tranquilo em termos de briga do que anteriormente". A pesquisadora Silvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, complementa que a diminuição de enfrentamentos entre facções, com a definição de controles territoriais, contribui diretamente para a redução de assassinatos.

Queda se distribui por todas as regiões do país

A redução nos homicídios foi observada em todas as cinco regiões brasileiras, com destaque para:

  1. Sul: queda de 22% (de 3.935 para 3.055 casos)
  2. Centro-Oeste: redução de 18% (de 2.682 para 2.204)
  3. Norte: diminuição de 11% (de 4.304 para 3.829)
  4. Nordeste: baixa de 10% (de 17.052 para 15.412)
  5. Sudeste: redução de 8% (de 10.401 para 9.586)

Entre os estados, Mato Grosso do Sul liderou as reduções com impressionantes 28%, seguido por Paraná e Rio Grande do Sul, ambos com 24% de queda. Na contramão dessa tendência positiva, Tocantins registrou aumento de 17%, Rio Grande do Norte subiu 14% e Roraima apresentou alta de 9%.

Feminicídios atingem patamar histórico alarmante

Enquanto as estatísticas gerais de violência apresentam melhora, os números de feminicídios contam uma história diferente. O ano de 2025 registrou 1.470 casos desse crime específico, superando o recorde anterior de 1.464 estabelecido em 2024. Isso significa que, em média, quatro mulheres foram assassinadas diariamente no Brasil pelo simples fato de serem mulheres.

A tipificação do feminicídio foi criada em 2015, quando foram registrados 535 casos. A comparação com os números atuais revela um crescimento assustador de 316% em uma década, demonstrando a gravidade desse problema social que persiste mesmo com o endurecimento penal. Em 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou lei que aumentou as penas para feminicídio, que agora variam de 20 a 40 anos de prisão.

Os dados de feminicídio também devem sofrer ajustes com a inclusão das estatísticas de dezembro de São Paulo e Paraíba, o que provavelmente elevará ainda mais esses números já alarmantes.

Taxas por 100 mil habitantes revelam desigualdades regionais

Quando analisada a taxa de assassinatos por 100 mil habitantes, Ceará lidera com 32,6, seguido por Pernambuco com 31,6 e Alagoas com 29,4. A média nacional ficou em 15,97, representando redução em relação aos 18,05 registrados em 2024.

Em números absolutos, Bahia permanece como o estado com maior quantidade de mortes violentas (3.900), seguido por Rio de Janeiro (3.581) e Pernambuco (3.023). Na outra extremidade, Acre registrou apenas 204 casos, enquanto Roraima contabilizou 139 ocorrências.

Os especialistas concordam que, apesar dos avanços na redução geral da criminalidade violenta, o aumento constante nos feminicídios exige atenção específica e políticas públicas direcionadas para combater essa forma particular de violência de gênero que continua a assolar o país.