Credit Suisse: investigação revela mais de 800 contas ligadas ao nazismo, incluindo SS e planos de fuga
Credit Suisse: 800+ contas ligadas ao nazismo, revela investigação

Credit Suisse tem mais de 800 contas ligadas ao nazismo, revela investigação

Uma investigação conduzida pelo Credit Suisse identificou centenas de contas bancárias diretamente ligadas ao nazismo, incluindo fundos da SS e planos de fuga para a Argentina após a Segunda Guerra Mundial. As informações foram divulgadas pelo senador americano Chuck Grassley, do Partido Republicano, nesta terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, em declaração a repórteres, horas antes de uma audiência do Comitê Judiciário do Senado dos Estados Unidos.

Detalhes da investigação e contas reveladas

Presidente do Comitê Judiciário, Grassley afirmou ter tido acesso a dois relatórios e uma atualização da investigação que apontavam a existência de 890 contas relacionadas ao nazismo no Credit Suisse. Muitas delas datavam da Segunda Guerra Mundial, incluindo fundos pertencentes a:

  • Ministério das Relações Exteriores da Alemanha
  • Cruz Vermelha
  • Uma empresa alemã de fabricação de armamentos

O senador americano também destacou que o inquérito trouxe evidências de que as relações do Credit Suisse com a SS, organização paramilitar dos tempos de Adolf Hitler que virou a tropa de elite do nazismo, eram mais relevantes do que se sabia anteriormente. Segundo ele, o braço econômico da polícia de Estado mantinha uma conta na instituição.

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Planos de fuga para a Argentina e envolvimento ampliado

Grassley revelou ainda que a investigação trouxe novos detalhes sobre um plano para ajudar nazistas a fugir para a Argentina após o fim da Segunda Guerra Mundial. De acordo com o parlamentar, os documentos contendo as informações foram entregues a ele pelo ex-procurador Neil Barofsky, que colabora com a investigação promovida pelo Credit Suisse.

Em comunicado, Barofsky afirmou: “O que a investigação descobriu até o momento mostra que o envolvimento do Credit Suisse foi mais amplo do que se sabia anteriormente. Isso reforça a importância de continuarmos a investir em pesquisas sobre essa horrível era da história moderna.” O ex-procurador deverá apresentar uma declaração escrita sobre o caso durante a audiência.

Contexto histórico e acusações recentes

Fundado no século XIX, o Credit Suisse foi uma das instituições que prestou serviços a alemães na época em que os nazistas roubavam os bens de suas vítimas judias. Na década de 1990, a instituição se juntou a outros bancos da Suíça em um acordo que estabelecia o pagamento de US$ 1,25 bilhão em restituição às vítimas do Holocausto.

No entanto, a organização judaica de direitos humanos Centro Simon Wiesenthal fez uma acusação contra o banco em 2021, denunciando uma possível falta de transparência. De acordo com a entidade, o Credit Suisse não expôs completamente a natureza de seu vínculo com o nazismo, incluindo os laços bancários relacionados a fugas para a Argentina.

Andamento da investigação e compromissos futuros

Para esclarecer o tema, a instituição contratou Barofsky para investigar seus arquivos, iniciando um trabalho que foi interrompido no final de 2022, quando o ex-promotor acabou demitido pelo banco. Ao mesmo tempo, o Credit Suisse passava por uma crise financeira que resultou na sua venda para um antigo concorrente, o também suíço UBS.

Sob nova administração, Barofsky foi recontratado e pôde dar prosseguimento à investigação, com o UBS se comprometendo a facilitar seu trabalho. Robert Karofsky, presidente do UBS Americas, declarou: “Agora, com três anos de experiência, nossa prioridade é concluir essa revisão para que o mundo possa se beneficiar das conclusões do próximo relatório final.”

Segundo assessores do Comitê Judiciário do Senado americano, a expectativa é que o inquérito seja concluído até o início do verão americano, em junho. O relatório final sobre o caso, por sua vez, deverá ser entregue somente no final de 2026, trazendo mais luz sobre esse capítulo sombrio da história financeira global.

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