PF mira Grupo Refit em operação contra sonegação e lavagem de dinheiro
PF mira Grupo Refit em operação contra sonegação

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta sexta-feira (15) a Operação Sem Refino, que tem como alvo o Grupo Refit, controlado pelo advogado e empresário Ricardo Magro, dono da Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro. A ação também mira o ex-governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro. Mandados estão sendo cumpridos em Jundiaí (SP) contra a empresa de Magro.

Grupo Refit é um dos maiores devedores de impostos do país

De acordo com a PF, a operação apura a atuação de um conglomerado econômico do ramo de combustíveis suspeito de utilizar a estrutura societária e financeira para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior. O Grupo Refit é considerado um dos maiores devedores de impostos do Brasil, sendo o maior devedor de ICMS do estado de São Paulo, o segundo maior do Rio de Janeiro e um dos maiores da União.

Ricardo Magro: histórico de investigações

Ricardo Magro, de 51 anos, é uma figura recorrente e controversa no mercado de combustíveis. Advogado e empresário, comanda a antiga Refinaria de Manguinhos, hoje Refit, alvo de diversas investigações tributárias e disputas com distribuidoras e órgãos de fiscalização nos últimos anos. Paulistano, ganhou projeção no Rio de Janeiro e, desde 2016, mora em uma área nobre de Miami, nos Estados Unidos. Formado em Direito pela Universidade Paulista (Unip), com pós-graduação em direito tributário, Magro comanda o grupo desde 2008.

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Magro afirma que o rótulo de maior devedor de ICMS do país é resultado de uma suposta perseguição institucional promovida por grandes empresas do setor. Ele chegou a acusar a Cosan, dona da Shell no Brasil, de fazer campanha para tirá-lo do setor. Em setembro, ao jornal Folha de S.Paulo, afirmou também ser alvo de perseguição e ameaças do PCC.

Operações anteriores e envolvimento com o PCC

Em 2016, Magro foi um dos alvos da Operação Recomeço, que investigou desvio de recursos dos fundos de pensão da Petrobras e dos Correios. Ex-advogado de Eduardo Cunha, era sócio do Grupo Galileo, que emitiu debêntures de R$ 100 milhões para recuperar a Universidade Gama Filho, mas o dinheiro teria sido desviado. O nome de Magro também foi citado na Operação Carbono Oculto, que investiga a presença do PCC no mercado de combustíveis. Embora a Refit não tenha sido alvo de buscas, documentos mencionam a empresa como parte de um fluxo comercial que teria envolvido companhias usadas pela facção. Magro rejeitou as acusações e afirmou ter colaborado com autoridades.

Refinaria de Manguinhos: interdições e polêmicas

A Refit já foi interditada várias vezes pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que questionou sua atividade de refino, apontando indícios de que a empresa importava combustíveis prontos em vez de refinar petróleo. O local foi interditado em setembro, reaberto por decisão judicial em outubro, e novamente interditado pelo STJ dois dias depois. Em julho de 2024, o Ministério Público de São Paulo apontou a Refit como envolvida em esquemas de sonegação e adulteração de bombas de combustíveis.

Apesar da fama de sonegadora, a Refit fechou contratos de patrocínio nos últimos anos, incluindo a NFL em 2023 e uma linha de combustíveis com a marca UFC em 2021. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vê lavagem de dinheiro do crime organizado usando empresas dos EUA e contrabando de armas ao Brasil, e pede parceria internacional.

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