Operação prende suspeito de integrar quadrilha especializada em golpe do falso advogado
Um homem foi preso nesta quinta-feira (19) em Praia Grande, no litoral de São Paulo, suspeito de fazer parte de uma organização criminosa que atuava com o golpe do falso advogado em pelo menos 11 estados brasileiros. A prisão ocorreu durante a 'Operação Falso Advogado', deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal com apoio da corporação paulista.
Mandados e prisões em múltiplas localidades
Segundo informações da Polícia Civil, foram expedidos 45 mandados judiciais no total, sendo 20 de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão. O delegado João Guilherme Carvalho, da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), informou que 15 prisões já foram realizadas até o momento, com uma em Praia Grande e as demais na capital paulista.
Dos mandados de busca e apreensão, apenas um foi cumprido em Praia Grande, enquanto os outros ocorreram em São Paulo. A operação contou com a participação de 70 agentes policiais do Distrito Federal, demonstrando a coordenação inter estadual no combate ao crime organizado.
Crimes e penalidades previstas
Os presos responderão pelos crimes de estelionato qualificado por meio eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As penas somadas podem chegar a 26 anos de prisão, conforme a legislação brasileira. Além das prisões, foram realizados sequestros e bloqueios judiciais de valores do crime em contas bancárias e imóveis dos integrantes do grupo criminoso.
Modus operandi da quadrilha
A Polícia Civil detalhou que os suspeitos obtinham ilegalmente as credenciais de advogados e acessavam processos judiciais eletrônicos, onde conseguiam decisões da Justiça e dados pessoais dos clientes. Após essa etapa, os criminosos entravam em contato com as vítimas, identificando-se como advogados e solicitando dinheiro para supostos pagamentos de taxas e impostos.
Estrutura organizacional do grupo criminoso
As investigações da DRCC identificaram uma complexa divisão de funções dentro da quadrilha através de vestígios cibernéticos e financeiros:
- 'Puxadores': Responsáveis pela obtenção ilegal de credenciais de advogados e extração de dados processuais.
- 'Montadores': Entravam em contato com as vítimas via aplicativos de mensagem, simulando gabinetes advocatícios.
- Especialistas em contatos telefônicos: Utilizavam roteiros sofisticados de histórias para induzir as vítimas ao erro.
- Grupo de coleta e lavagem: Encarregado da arrecadação e ocultação dos valores ilícitos.
- Fornecedores de recursos: Responsáveis por chips telefônicos e contas bancárias utilizadas nas operações criminosas.
A operação representa um significativo golpe contra uma organização criminosa que explorava a confiança das pessoas em processos judiciais, demonstrando a importância da cooperação entre forças policiais de diferentes unidades federativas no combate ao crime digital organizado.



