Polícia investiga rede de influenciadores que promoviam cassinos ilegais em Piracicaba
Rede de influenciadores promovia cassinos ilegais em Piracicaba

Polícia Civil desmantela rede criminosa de influenciadores digitais em operação na região de Piracicaba

A Polícia Civil de Piracicaba (SP) deflagrou nesta sexta-feira (13) a Operação Tiger III, que tem como alvo uma sofisticada rede de influenciadores digitais suspeita de promover cassinos virtuais não regulamentados através de perfis de grande alcance nas redes sociais. Segundo as investigações, os envolvidos no esquema recebiam uma comissão extraordinária de 75% sobre cada aposta realizada por seguidores atraídos por seus conteúdos, com movimentação financeira estimada entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões apenas para os influenciadores.

Esquema milionário com hubs financeiros movimentando bilhões

O delegado Ivan Luis Constâncio, do Departamento de Investigações sobre Crimes Eletrônicos (Deic) de Piracicaba, revelou que as empresas responsáveis pela articulação dos pagamentos – tanto para influenciadores quanto para eventuais jogadores – ainda não foram completamente identificadas, mas apresentam números astronômicos. "Os hubs financeiros, as empresas que fazem a articulação dos pagamentos aos influenciadores e aos eventuais jogadores, a priori, a gente consegue ter uma ideia de algo na casa dos R$ 15 [bilhões] a R$ 20 bilhões movimentados por essas empresas financeiras", explicou o investigador durante coletiva de imprensa.

Conforme detalhado pela polícia, o modus operandi da organização criminosa envolvia uma divisão padronizada de tarefas e comportamentos ilícitos meticulosamente planejados. Os influenciadores investigados induziam seguidores ao erro através da ostentação de falsos ganhos e grandes quantias em dinheiro vivo, criando uma ilusão de sucesso financeiro fácil para atrair novos apostadores.

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Mecanismo de captação através de links de afiliação

O cerne do esquema residia em um sistema de links de afiliação que direcionavam os seguidores para plataformas de apostas ilegais. "Inicialmente, a plataforma passava um link com um ganho programado para esses influenciadores, e eles divulgavam para os seus seguidores. Os seguidores usavam esse link para o acesso e eram remetidos a uma plataforma de jogos online. A cada nova jogada desses apostadores, 75% da aposta iam para os influenciadores, como uma forma de comissão", detalhou o delegado Constâncio.

Este mecanismo garantia que os influenciadores recebessem uma porcentagem exorbitante sobre cada aposta realizada através de seus links pessoais, criando um incentivo financeiro poderoso para a divulgação contínua das plataformas ilegais. A investigação ocorre sob segredo de Justiça, o que impede a divulgação dos nomes dos influenciadores investigados e das plataformas específicas envolvidas no esquema.

Operação abrange múltiplas cidades com apreensões significativas

Na manhã desta sexta-feira, os policiais cumpriram mandados de busca e apreensão em 20 endereços distribuídos por seis municípios:

  • Piracicaba (SP)
  • Capivari (SP)
  • São Pedro (SP)
  • Americana (SP)
  • Limeira (SP)
  • Cordeirópolis (SP)

As ações resultaram na apreensão de um considerável patrimônio vinculado ao esquema criminoso:

  1. Sete veículos automotores
  2. Duas motocicletas
  3. Diversos dispositivos eletrônicos
  4. Joias e semijoias de valor
  5. Quantias significativas em dinheiro em espécie

O material apreendido será submetido a minuciosa análise pericial para mapear o fluxo financeiro da organização e identificar os beneficiários finais do esquema milionário. O balanço completo dos valores apreendidos ainda não foi concluído pelas autoridades policiais.

Fase inicial de investigações com perspectiva de prisões futuras

O delegado Ivan Luis Constâncio esclareceu que a operação representa a fase inicial das investigações, focada na construção de provas sólidas. "A gente está na fase inicial das investigações, construindo um movimento probatório, como materialidade e indício de autoria, para, em um momento posterior, a solicitação das prisões temporárias e preventivas", afirmou o investigador.

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Até o momento, nenhum mandado de prisão foi expedido contra os alvos da operação. Curiosamente, os próprios influenciadores investigados, possivelmente alertados sobre as investigações em curso, já apagaram voluntariamente os conteúdos de divulgação das casas de aposta ilegais de suas redes sociais. Da mesma forma, nenhuma conta bancária vinculada ao esquema foi suspensa até esta fase das investigações.

A Operação Tiger III tem como objetivos principais desarticular uma organização criminosa especializada em múltiplas ilegalidades, incluindo jogos de azar online não autorizados, estelionato em larga escala e lavagem de dinheiro. As investigações continuam em andamento, com expectativa de novas descobertas sobre a extensão completa desta rede criminosa que utilizava a influência digital para fins ilícitos.