Polícia Civil desarticula esquema interestadual de armas produzidas por impressoras 3D
A Polícia Civil do Rio de Janeiro, em conjunto com o Ministério Público do Estado e o Ministério da Justiça, deflagrou a Operação Shadowgun para desmontar uma rede criminosa especializada na produção e comercialização de armamentos fabricados com impressoras 3D. A investigação revelou que a quadrilha não apenas vendia armas prontas, mas também oferecia projetos digitais completos com tutoriais e acompanhamento técnico para que compradores fabricassem seus próprios armamentos em casa.
Esquema incluía tutoriais para fabricação caseira
Durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (12), o procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antônio José Campos Moreira, detalhou a sofisticação do esquema. "O que surgiu a partir dessa investigação foi algo diferente. Não são fábricas, são pessoas, principalmente duas pessoas, que idealizaram um projeto digital e passaram, além de comercializar as armas fabricadas, passaram a comercializar esse projeto, oferecendo inclusive um tutorial e acompanhamento técnico", explicou o procurador.
Segundo as autoridades, esse modelo de negócio criminoso representa um risco ainda maior de disseminação de armas ilegais, pois permite que qualquer pessoa com acesso a uma impressora 3D e ao projeto digital possa produzir armas de fogo em ambiente doméstico. A fabricação utilizava polímero de alta resistência combinado com tecnologia de impressão tridimensional.
Operação abrange 11 estados e prende quatro suspeitos
A Operação Shadowgun resultou na prisão de quatro homens, incluindo o apontado como líder da organização criminosa, localizado em Rio das Pedras, interior de São Paulo. Os agentes policiais cumpriram:
- 5 mandados de prisão
- 36 mandados de busca e apreensão
As ações ocorreram em São Paulo, Rio de Janeiro e outros nove estados brasileiros, demonstrando o caráter interestadual do esquema criminoso.
Investigação começou com alerta internacional
A apuração teve início após um alerta enviado ao Brasil por um organismo norte-americano, que foi repassado ao país através do Ministério da Justiça. "Tudo se iniciou a partir de um comunicado recebido do Ministério da Justiça... informações repassadas ao Brasil por um organismo Norte Americano", revelou o procurador Antônio José Campos Moreira.
O caso evidencia como o ambiente virtual tem sido utilizado para a prática de crimes complexos. "O ambiente virtual tem servido de cenário, de palco para a prática de inúmeros crimes. Crimes praticados no ambiente virtual, sobretudo, cujo a investigação é difícil", destacou o procurador.
Perfil dos compradores e crimes envolvidos
As investigações da 32ª DP (Taquara) e do CyberGaeco do MPRJ identificaram 79 compradores em todo o território nacional, incluindo indivíduos com condenações anteriores por:
- Tráfico de drogas
- Homicídio
- Roubo
- Porte ilegal de armas
No estado do Rio de Janeiro, foram localizados 10 compradores distribuídos pela capital, Região dos Lagos e Norte Fluminense. O grupo criminoso produzia principalmente carregadores de armas e divulgava projetos de "armas fantasmas" – armamentos sem numeração de série que dificultam o rastreamento.
Os investigados responderão na Justiça pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de arma de fogo. A operação representa um marco no combate à criminalidade que utiliza tecnologias avançadas para fins ilícitos no Brasil.



