Meta entra com ações judiciais contra criminosos que usam deepfakes em golpes digitais
A Meta, empresa controladora do Facebook e do Instagram, divulgou nesta quinta-feira (26) que está movendo processos contra indivíduos e companhias localizadas no Brasil, na China e no Vietnã. Os acusados são responsabilizados por utilizar imagens e vozes falsificadas de personalidades conhecidas para veicular anúncios fraudulentos em suas plataformas digitais.
Esquema de "isca de celebridade" prejudica confiança dos usuários
De acordo com a big tech, os anúncios fraudulentos são elaborados para parecerem reais, dificultando a detecção por parte dos usuários. "Esse esquema, conhecido como 'isca de celebridade', prejudica a confiança das pessoas e viola nossas políticas", afirmou a empresa em comunicado oficial. A Meta destacou que as ações judiciais visam combater práticas que exploram a credibilidade de figuras públicas para promover produtos enganosos.
No Brasil, médicos são alvos de falsos produtos de saúde
No território brasileiro, os envolvidos citados pela Meta são acusados de empregar deepfakes de personalidades famosas para vender produtos de saúde falsificados. Entre as vítimas está o renomado médico Drauzio Varella, que relatou o problema em sua coluna na Folha em outubro de 2025. Varella expressou sua revolta ao ver seu nome associado a golpes digitais após décadas de carreira.
"Claro que fico revoltado quando vejo meu nome achincalhado por gente da pior espécie em conluio com as plataformas, depois de quase 60 anos de profissão. É assustador ver pessoas esclarecidas caírem nessas armadilhas", escreveu o médico. Ele também descreveu as dificuldades enfrentadas ao tentar contatar a Meta para remover os vídeos falsos, recebendo apenas respostas automáticas em muitos casos.
Empresas de suplementos e treinamento são processadas
A Meta informou que também foram processadas empresas de suplementos e de treinamento que fazem parte de uma operação que utiliza deepfakes de um médico proeminente para anunciar produtos de saúde sem aprovação regulatória. Além disso, o grupo é acusado de comercializar cursos que ensinam táticas de falsificação, ampliando o alcance dos golpes.
Como medidas imediatas, a empresa suspendeu métodos de pagamento, desativou contas e bloqueou nomes de domínio de sites vinculados aos envolvidos. "As ações judiciais e os esforços contínuos para combater golpes enviam uma mensagem clara: aqueles que buscam explorar outras pessoas em nossas plataformas serão responsabilizados", acrescentou o comunicado.
Problema atinge celebridades em escala global
Personalidades em todo o mundo enfrentam situações semelhantes. O comentarista-chefe de economia do Financial Times, Martin Wolf, já denunciou em coluna publicada pela Folha que vídeos com deepfakes de seu rosto convidando pessoas para um grupo de investimentos falso alcançaram pelo menos 970 mil usuários das plataformas da Meta apenas na União Europeia.
Processos se estendem para China e Vietnã
Na China, a Meta está processando a empresa Shenzhen Yunzheng Technology Co. pelo uso de imagens de celebridades em anúncios falsos que atingiram usuários nos Estados Unidos, Japão e outros países. Essas ações fazem parte de um esquema de fraude maior que atraía pessoas para supostos grupos de investimento.
No Vietnã, a empresa Lý Van Lâm está sendo processada por utilizar métodos de camuflagem para burlar o processo de revisão de anúncios da plataforma. A companhia veiculou anúncios falsos oferecendo grandes descontos de marcas conhecidas, como a grife Longchamp, redirecionando usuários para sites onde informavam dados de cartão de crédito para comprar itens que nunca receberiam.
Colaboração internacional resulta em prisões
O comunicado da Meta também revelou que, em uma operação em colaboração com autoridades policiais do Reino Unido e da Nigéria, foram efetuadas sete prisões vinculadas a uma central de golpes. Essa iniciativa demonstra o compromisso da empresa em trabalhar com órgãos internacionais para combater fraudes digitais de forma mais eficaz.
As ações judiciais da Meta representam um passo significativo na luta contra a desinformação e os golpes online, destacando a necessidade de vigilância constante por parte dos usuários e das plataformas digitais.



