Mulher relata prejuízo de quase R$ 60 mil após cair em golpe em São Carlos
Uma chefe de manutenção residente em São Carlos, no interior de São Paulo, enfrentou um prejuízo financeiro de quase R$ 60 mil após ser vítima de um golpe que resultou na clonagem de seus cartões. O caso ilustra uma tendência alarmante no estado, onde, conforme levantamento da Fundação Seade, 82% dos idosos com 60 anos ou mais já foram alvo de tentativas de golpes virtuais.
Estratégias comuns dos golpistas e relatos das vítimas
As táticas mais frequentes empregadas pelos criminosos incluem ligações telefônicas, e-mails e mensagens que simulam instituições financeiras ou escritórios de advocacia, criando uma falsa sensação de urgência e legitimidade. Vanda Ventura Chiari, a vítima em São Carlos, compartilhou sua experiência traumática. Ela havia quitado uma fatura, mas mesmo assim recebeu mensagens alertando sobre uma suposta pendência. Pouco depois, foi abordada por indivíduos que se passaram por funcionários de seu banco.
"Eles pediram que eu baixasse um aplicativo e colocasse o cartão embaixo do celular para 'destravar' o sistema", contou Vanda. A partir desse momento, os golpistas conseguiram clonar seus dados pessoais e financeiros, realizando uma série de transações fraudulentas, incluindo compras, débitos e até a abertura de contas em seu nome. "Fizeram bastante estrago. Eu achei que estava falando com a pessoa certa na hora certa. Você acha que nunca vai cair, mas cai. Fica um alerta e uma sensação muito ruim", desabafou.
Outra moradora de São Carlos, a aposentada Dirce Marchetti, também relatou múltiplas tentativas de golpe. Em uma ocasião, criminosos se fizeram passar por atendentes bancários e enviaram um link para um suposto bloqueio de movimentação. Em outra, fingiram ser seu advogado, solicitando um depósito para liberar uma causa judicial. "Eles usam fotos, slogans do escritório. Só não é o mesmo número. Aí eu percebi que era golpe", explicou Dirce, destacando a sofisticação das abordagens.
Como se proteger e agir em casos de fraude
Especialistas em segurança digital e jurídica reforçam medidas cruciais para evitar cair nessas armadilhas. É fundamental lembrar que nenhuma instituição legítima solicita pagamentos para liberar valores, e sempre se deve confirmar contatos diretamente com bancos ou advogados através de canais oficiais.
Em situações de fraude já consumada, a orientação é clara e envolve três passos principais:
- Registrar um boletim de ocorrência imediatamente para documentar o crime.
- Acionar a instituição financeira envolvida para tentar bloquear transferências ou transações, como PIX, utilizando sistemas de segurança disponíveis.
- Buscar assistência jurídica para avaliar possíveis ações legais, mesmo sem identificar os golpistas.
O advogado Renato Barros detalhou: "Fazer contato com a instituição bancária para ver se consegue bloquear a transferência de valor ou até mesmo PIX realizado. Há sistemas de bloqueio. Fazer boletim de ocorrência de imediato e depois, se for o caso, ajuizar uma ação sem identificar quem é o golpista".
Este caso em São Carlos serve como um alerta contundente sobre a vulnerabilidade, especialmente de idosos, a golpes digitais cada vez mais elaborados. A conscientização e a adoção de práticas seguras são essenciais para combater essa onda de crimes financeiros que assola o estado de São Paulo e outras regiões do Brasil.



