Controle remoto vira alvo de criminosos: clonagem cresce para invadir condomínios
A praticidade do acionamento remoto de portões, que trouxe sensação de segurança aos condomínios, transformou-se em vulnerabilidade explorada por quadrilhas especializadas. Na última quarta-feira, 19 de fevereiro de 2026, um condomínio residencial de classe média na região central de São Paulo quase foi vítima dessa nova modalidade criminosa, quando criminosos utilizaram um controle remoto clonado para tentar acessar a garagem do prédio.
Apenas a atenção do porteiro, que acionou a polícia e travou os portões, impediu um possível arrastão. Ao perceberem que a entrada havia sido bloqueada, os invasores abandonaram o veículo e fugiram saltando o muro, evidenciando a sofisticação e o risco dessas ações.
Como funciona a clonagem dos controles remotos
Adilson Lourenço, proprietário da empresa especializada em segurança eletrônica A2SEC, explica que os criminosos utilizam um equipamento popularmente conhecido como 'chupa-cabra' para capturar os códigos dos dispositivos. Essa clonagem ocorre principalmente com controles de código fixo, que transmitem sempre o mesmo sinal binário e podem ser copiados pela placa receptora do portão ou do alarme.
Esses aparelhos operam geralmente em radiofrequência na faixa de 433 a 450 MHz, permitindo a interceptação do sinal à distância, muitas vezes a partir da calçada, sem levantar suspeitas. Em contraste, os modelos mais modernos empregam sistemas anticlonagem, denominados rolling code, que alteram o código a cada acionamento, oferecendo maior proteção.
Outras táticas utilizadas pelas quadrilhas
Além da clonagem remota, outra estratégia recorrente é o furto físico do controle em locais como estacionamentos ou lava-rápidos. Os criminosos frequentemente substituem o dispositivo original por um similar, deixando o proprietário sem perceber o roubo. Ao chegar em casa e constatar que o portão não abre, o morador tende a acreditar que o controle está com defeito, retardando a descoberta do crime.
Por isso, especialistas em segurança recomendam medidas preventivas essenciais:
- Não deixar o controle remoto no interior do veículo, guardando-o junto ao motorista, assim como as chaves da residência.
- Investir em treinamento para funcionários de condomínios, visando um controle efetivo de acesso com verificação de placa do carro, modelo e, principalmente, identificação do condutor.
- Adotar sistemas de segurança mais avançados, como os controles com tecnologia rolling code, para dificultar a clonagem.
A importância da vigilância humana
O caso do condomínio na região central de São Paulo destaca que, mesmo com a automação, a presença atenta de profissionais de segurança é fundamental. Quando as informações não coincidem, como no episódio em que o porteiro identificou a inconsistência e agiu rapidamente, é possível evitar invasões e proteger os moradores de prejuízos materiais e riscos pessoais.
Essa nova onda de crimes em grandes centros urbanos exige que condomínios reforcem suas políticas de segurança, combinando tecnologia atualizada com procedimentos rigorosos de controle de acesso. A clonagem de controles remotos representa uma ameaça crescente, mas com medidas adequadas, é possível mitigar os riscos e garantir a tranquilidade dos residentes.