82% dos idosos paulistas já foram alvo de golpes virtuais, revela estudo
82% dos idosos paulistas já sofreram tentativa de golpe

Alto índice de tentativas de golpes atinge idosos no estado de São Paulo

Uma pesquisa realizada pela Fundação Seade revelou um dado alarmante: 82% das pessoas com 60 anos ou mais no estado de São Paulo já foram alvo de tentativas de golpes virtuais. Essas fraudes ocorrem através de mensagens, e-mails ou ligações telefônicas fraudulentas, demonstrando a vulnerabilidade dessa faixa etária frente aos crimes digitais.

Vítima perde R$ 50 mil em golpe sofisticado

Elisa Murro, uma aposentada de 73 anos residente em São José do Rio Preto, viveu momentos de desespero ao cair no golpe do falso gerente de banco. Mesmo sem possuir recursos em sua conta corrente, os criminosos conseguiram realizar empréstimos em seu nome, totalizando um prejuízo de R$ 50 mil. "Quando eu vi minha conta, ele tinha feito um empréstimo de R$ 25 mil no crédito consignado e R$ 20 mil no crédito pessoal", relatou a idosa em entrevista à TV TEM.

Os golpistas utilizaram uma estratégia elaborada, se passando por funcionários do Banco Bradesco e usando o nome do gerente que atendia regularmente a aposentada. Elisa afirma que já havia solicitado ao banco a retirada das ofertas de crédito, pois não pretendia utilizar esses recursos, mas mesmo assim os criminosos conseguiram acessar sua conta. Atualmente, ela busca resolver a situação através de medidas judiciais.

Estatísticas regionais preocupam autoridades

Na região de São José do Rio Preto, os números são igualmente alarmantes. A Polícia Civil registrou 21,5 mil casos de golpes ao longo de 2025 na área de atuação do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 5, que abrange 96 municípios. O delegado seccional Éverson Contelli, especialista em crimes cibernéticos, explica que a maioria desses crimes ocorre através de falsas narrativas criadas pelos suspeitos.

"É alguém que monta um teatro, conta uma história e essa pessoa se envolve. Hoje, mais de 60% dos golpes são compostos por elementos de engenharia social: é o falso parente, é o falso funcionário e por aí vai", afirmou o delegado. Essa técnica de manipulação psicológica tem se mostrado extremamente eficaz contra vítimas mais vulneráveis.

Variedade de golpes preocupa especialistas

Além do golpe do falso gerente bancário, outras modalidades de fraude têm se proliferado. Um idoso de São José do Rio Preto, que preferiu não ser identificado, relatou a perda de mais de R$ 3 mil após receber mensagens de um golpista se passando por sua filha e solicitando o pagamento de um boleto. "Naquele momento, eu estava trabalhando e, querendo ajudar, acabei pagando", confessou a vítima, que não imaginava estar sendo enganada.

A Associação dos Profissionais e Empresas de Tecnologia (Apeti) emite alertas constantes sobre esses riscos. João Paulo Rodrigues, presidente da entidade, orienta que ninguém faça transferências ou forneça senhas sem antes consultar um familiar de confiança. "Com a Inteligência Artificial, já não dá mais para confiar nem em ligações ou áudios recebidos. A única coisa em que ainda podemos confiar é na pessoa que está na sua frente", afirmou Rodrigues.

Instituições financeiras reforçam orientações de segurança

Em nota oficial, o Banco Bradesco esclareceu que não comenta casos específicos de clientes, mas alertou que golpes dessa natureza geralmente envolvem criminosos se passando por representantes da instituição. A empresa reforçou que nunca solicita senhas, instalação de aplicativos ou autorização de transações por telefone, mantendo campanhas educativas contínuas para orientar seus clientes sobre prevenção de fraudes.

As autoridades policiais recomendam que a população, especialmente os idosos, adote medidas de precaução:

  • Nunca fornecer senhas ou dados pessoais por telefone
  • Sempre confirmar informações com familiares antes de realizar transações
  • Desconfiar de ligações inesperadas, mesmo que aparentem ser de instituições conhecidas
  • Consultar profissionais de confiança em caso de dúvidas sobre procedimentos bancários

O combate a esses crimes exige atenção constante e educação digital, especialmente para proteger as faixas etárias mais vulneráveis aos golpes virtuais que se tornaram cada vez mais sofisticados com o avanço tecnológico.