Motorista de 75 anos é indiciado por maus-tratos após dirigir com cachorro preso fora do carro no Paraná
Motorista indiciado por dirigir com cachorro preso fora do carro no PR

Motorista de 75 anos é indiciado por maus-tratos após dirigir com cachorro preso fora do carro no Paraná

Um motorista de 75 anos foi indiciado pelo crime de maus-tratos aos animais após ser flagrado dirigindo um carro com um cachorro da raça Pastor Alemão preso pela coleira do lado de fora do veículo. O caso ocorreu em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, e gerou intensa repercussão nas redes sociais após vídeos mostrarem o animal se esforçando para caminhar e acompanhar o carro enquanto o condutor percorria diversas ruas da cidade.

Cena flagrada pela vereadora Teka dos Animais

As imagens que viralizaram foram gravadas pela equipe da vereadora Teka dos Animais, integrante do projeto "Paraná Contra Maus-Tratos". A parlamentar recebeu denúncias de que a situação estava se tornando recorrente e decidiu ir pessoalmente ao local para verificar. Ao encontrar o motorista em flagrante, ela registrou um Boletim de Ocorrência e formalizou a denúncia junto à Polícia Civil, que imediatamente iniciou as investigações.

O delegado Derick Moura Jorge, responsável pelo caso, explicou que a situação configura maus-tratos por colocar o cão em risco constante. "A conduta expôs o animal tanto aos perigos do trânsito quanto à possível extenuação e cansaço extremo", afirmou o delegado em entrevista ao g1.

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Justificativa do motorista e situação atual do animal

Em depoimento, o motorista de 75 anos afirmou que sempre levou o cachorro para passear dessa forma, considerando a prática mais conveniente e acreditando que favorecia o exercício físico do animal. "Ele disse que sempre fez assim, e só agora as pessoas se incomodaram", relatou o delegado.

Apesar das imagens preocupantes, o cachorro permanece sob a guarda do tutor após um detalhado laudo de avaliação clínica e comportamental veterinária. O documento atestou a ausência de danos físicos imediatos, lesões nos coxins ou traumas cervicais, indicando que o animal apresenta boas condições de saúde e manejo atual.

Andamento do processo legal

O inquérito policial já foi finalizado e encaminhado ao Ministério Público do Paraná, que agora avalia se denuncia ou não o motorista à Justiça. O nome do homem não foi divulgado oficialmente, e o g1 não conseguiu localizar sua defesa para comentários.

O delegado Derick Moura Jorge ressaltou a importância das denúncias contra crimes desta natureza, mas fez um alerta importante: "A Polícia Civil orienta que a população prefira enviar provas em vídeo diretamente aos órgãos competentes, evitando a divulgação precoce em redes sociais, pois essa prática pode prejudicar o sigilo das investigações, gerar acusações infundadas e acarretar responsabilidades civis e penais aos divulgadores".

O que diz a legislação brasileira sobre maus-tratos

A Lei Federal nº 9.605/1998 estabelece penas severas para quem pratica atos de abuso, maus-tratos, fere ou mutila animais. As sanções variam de três meses a um ano de detenção, além de multa. Quando se trata especificamente de cães ou gatos, a pena é aumentada significativamente:

  • Reclusão de dois a cinco anos
  • Multa financeira
  • Proibição definitiva da guarda de animais

A legislação também prevê sanções para quem realiza ou permite tatuagens e piercings em cães e gatos com fins estéticos, além de experimentos dolorosos em animais vivos quando existem alternativas disponíveis. Em todos os casos, a pena é aumentada de um sexto a um terço se ocorrer a morte do animal.

Repercussão e importância das denúncias

O caso em Ponta Grossa demonstra como a vigilância da sociedade e a atuação de autoridades comprometidas com a causa animal podem resultar em ações concretas contra maus-tratos. A vereadora Teka dos Animais destacou que recebeu diversas denúncias antes de agir, mostrando que a população está cada vez mais atenta e disposta a proteger os animais.

Embora o cachorro envolvido neste caso específico não tenha apresentado lesões físicas imediatas, especialistas alertam que práticas similares colocam os animais em risco grave de acidentes, estresse extremo e problemas de saúde a longo prazo. A orientação das autoridades é sempre priorizar o bem-estar animal durante passeios e atividades físicas.

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