Programa Reviver Centro transforma região central do Rio com milhares de novas moradias
O ambicioso programa Reviver Centro, aprovado em julho de 2021, já possibilitou a criação de mais de 7.414 apartamentos na região central do Rio de Janeiro, marcando uma transformação significativa no perfil da área que por décadas foi predominantemente comercial. No entanto, moradores e comerciantes que já ocupam esses novos espaços residenciais apontam desafios urgentes que precisam ser superados para consolidar a revitalização.
Infraestrutura não acompanha o crescimento residencial
Entre as principais queixas dos residentes estão a falta de serviços básicos, problemas na coleta de lixo residencial e dificuldades logísticas para carga e descarga. A moradora Verônica Souza, que se mudou para um apartamento na Avenida Presidente Vargas – o primeiro edifício residencial lançado na região após 77 anos – relata obstáculos desde sua chegada.
"Carga e descarga a gente não tem lugar pra isso. Tem uma faixa que é só pra ônibus, táxi. A gente não pode parar nessa faixa. E como você desembarca pra fazer mudança?", questiona Verônica, destacando também problemas com a coleta de lixo, já que a área não fazia parte da rota regular da Comlurb.
Segurança pública é demanda prioritária
O administrador Fábio Nahon, que trabalha com aluguel de temporada nos novos empreendimentos, avalia que a principal demanda é segurança. Ele afirma que moradores e turistas sentem falta de melhor iluminação pública, policiamento ostensivo e maior presença do comércio na região.
"O fator que inibe mais o comércio de crescer é essa falta de segurança no Centro", afirma Nahon, ressaltando que a percepção de insegurança afeta tanto residentes permanentes quanto visitantes temporários.
Área abrange quase 6 quilômetros quadrados
O programa Reviver Centro abrange uma extensa área de quase 6 quilômetros quadrados, englobando os bairros do Centro, Lapa, Santo Cristo, Gamboa e Saúde. Desde sua implementação, 66 imóveis receberam autorização para obras, contemplando tanto a construção de novos prédios quanto a conversão de imóveis comerciais em residenciais.
No edifício onde mora Verônica, com seus 360 apartamentos (200 já entregues), a maior parte das unidades está sendo usada para aluguel de temporada, refletindo uma transição gradual no perfil da região.
Poder público reconhece necessidade de adaptação
O vereador Pedro Duarte, presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara Municipal, reuniu-se recentemente com síndicos, moradores e representantes do poder público para discutir as demandas. Ele destaca que o Centro passou a ter uma nova dinâmica que exige atenção diferenciada.
"O poder público mesmo olhava pro Centro 'ah, ali é um bairro comercial, sábado e domingo não preciso dar muita atenção'. Agora a realidade é outra. Há pessoas que estão morando ali num sábado, num domingo, que precisam circular, precisa ter Guarda Municipal, trânsito organizado", afirma Duarte.
Respostas das autoridades municipais
Diante das reclamações, diversas autoridades municipais apresentaram respostas:
- Comlurb: Afirmou que vai aos pontos citados para conversar com síndicos e porteiros sobre a coleta de lixo
- Rioluz: Informou que reforçou a iluminação na região da Praça Mauá com novos postes
- CET-Rio: Disse que um estudo está sendo elaborado para melhorar as demandas por estacionamento
- Polícia Militar: Informou que mantém policiamento em pontos estratégicos e intensificou abordagens, com mais de 60 criminosos presos e 30 adolescentes apreendidos na região em 2026
- Operação Centro Presente: Afirmou que 16 agentes atuam no trabalho complementar ao patrulhamento da PM
Momento de adaptação e consolidação
O arquiteto e urbanista Fernando Costa avalia que o momento ainda é de adaptação, mas destaca que as mudanças precisam acompanhar o aumento da circulação de pessoas na região.
"Assim como os moradores fixos, os turistas que estão num curto período também precisam ser abastecidos de comércio, limpeza urbana, cuidado com lixo, com as calçadas, vias, até com o controle do trânsito. Por mais que a gente tenha nesse momento alguns tropeços, acho que as vitórias, os ganhos, estão sendo superiores aos tropeços", analisa Costa.
Verônica Souza resume o sentimento de muitos moradores: "A região é muito boa, mas ela precisa se tornar residencial, não apenas comercial", refletindo o desejo de consolidação de um Centro do Rio verdadeiramente habitável, com infraestrutura adequada e segurança garantida para todos.



