Famílias são removidas do Aturiá para obras turísticas após decisão judicial em Macapá
Famílias removidas do Aturiá para obras turísticas em Macapá

Famílias são removidas do Aturiá para obras turísticas após decisão judicial em Macapá

Moradores do complexo do Aturiá, localizado no bairro do Araxá, foram retirados de suas casas nesta segunda-feira (16) por determinação do juiz Robson Timoteo Damasceno, da 1ª Vara de Fazenda Pública de Macapá. A medida, conforme esclareceu a Procuradoria Geral do Estado (PGE), tem como objetivo principal permitir a continuidade das obras do complexo turístico planejado para a região.

Contexto de vulnerabilidade e ação do Ministério Público

A decisão judicial afeta diretamente famílias que residem em uma área constantemente ameaçada pelo avanço do Rio Amazonas, especialmente durante os períodos de maré alta. Segundo o procurador Miguel Martins, a remoção é resultado de uma ação movida pelo Ministério Público do Amapá (MP-AP), que solicitou medidas urgentes para reduzir a vulnerabilidade dessas famílias.

Inicialmente, o MP havia pedido a construção de um muro de arrimo como proteção. No entanto, estudos técnicos realizados pela Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinf) concluíram que apenas o muro não seria suficiente para resolver o problema. A solução considerada necessária envolveu a remoção total das residências, seguida de processos de drenagem, aterramento e, posteriormente, a construção do muro.

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Processo de realocação e indenizações

A ação judicial previa originalmente a retirada de 250 famílias, que seriam realocadas em unidades habitacionais ou indenizadas financeiramente. De acordo com a procuradoria, 154 famílias aceitaram a realocação para o conjunto Vila das Oliveiras, restando 96 famílias no processo.

O procurador Miguel Martins detalhou: "Conseguimos diminuir de 94 para 24 famílias com as indenizações administrativas. Quando um morador aceitava a indenização, nós negociávamos um prazo para ele sair, e o pagamento era imediato, em dinheiro. Mas infelizmente 24 famílias não aceitaram esse trâmite administrativo, e como a obra já está há mais de 20 anos, foi necessário entrar no cumprimento de sentença."

Com a sentença judicial, o Estado depositou em agosto de 2025 mais de R$ 4 milhões para indenizações, valor que poderia ser utilizado pelas famílias para adquirir novos imóveis. Dos 24 que ainda permaneciam no local, oito pessoas realizaram o resgate da indenização, restando 16 famílias que passaram pelo processo de retirada nesta segunda-feira.

Questionamentos sobre os valores das indenizações

Alguns moradores contestam os valores pagos pelas indenizações. A procuradoria, por sua vez, afirma que todos tiveram a oportunidade de solicitar reavaliação e, em diversos casos, os valores foram corrigidos significativamente.

Martins explicou: "Todos os moradores tiveram direito de pedir reavaliação. Nós temos laudos que começaram entre R$28 mil a R$30 mil e foram atualizados em até R$60 a R$65 mil. Então todos tiveram o contraditório e ampla defesa em relação a esses valores."

O pescador José Raimundo Mofredo expressou sua insatisfação, alegando que não teve tempo suficiente para procurar outro local e considerando o valor oferecido como baixo. A procuradoria reconheceu que José não foi notificado adequadamente e concedeu um prazo adicional para que ele deixe a casa.

José Raimundo Mofredo declarou: "Quero que eles comprem com R$ 65 mil um terreno e uma casa. Aqui não foi nada roubado, foi uma vida de 60, 70 anos batalhando contra a maré."

Detalhes técnicos e apoio durante a reintegração

Os valores das indenizações são definidos por engenheiros, que avaliam especificamente as construções, sem considerar a localização do terreno. Uma igreja também estava prevista para demolição, mas, após um acordo, será reconstruída em uma área próxima, cedida por um órgão público.

Durante a operação de reintegração de posse, profissionais da Secretaria de Estado da Assistência Social (Seas) estiveram no local prestando auxílio à população. Equipes da Polícia Militar (PM) também foram acionadas para garantir a segurança do processo.

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Objetivo das obras do Complexo do Aturiá

As obras do Complexo do Aturiá fazem parte de um conjunto de melhorias urbanísticas destinadas a transformar a área em um complexo turístico de grande porte. O projeto é executado pelo Governo do Estado e visa não apenas o desenvolvimento turístico, mas também a mitigação de riscos ambientais na região.