Por que não há eclipse todo mês? Entenda a inclinação da Lua e as temporadas
Por que não há eclipse todo mês? Entenda a inclinação da Lua

O que é um eclipse?

A Lua, tema dos astronautas da Artemis II, completa uma volta ao redor da Terra a cada 29 dias. Durante esse percurso, ela passa entre a Terra e o Sol (Lua nova) ou fica do lado oposto, com a Terra no meio (Lua cheia). Nessas situações, os três astros ficam praticamente alinhados, e um pode fazer sombra no outro: na Lua nova, a Lua pode tapar o Sol (eclipse solar); na Lua cheia, a Terra pode tapar a Lua (eclipse lunar).

Por que não ocorre todo mês?

Essa pergunta é o tema de um artigo publicado em 12 de maio de 2026 pelo Science Media Centre España, assinado por sete pesquisadores da Universidade de Alicante, na Espanha. O grupo estuda há anos os erros comuns na explicação do céu e descobriu que os mesmos enganos aparecem em adultos e crianças, independentemente de terem estudado astronomia ou não.

A órbita inclinada da Lua

Um dos erros mais frequentes é imaginar que a Lua gira perfeitamente alinhada à Terra e ao Sol. Na verdade, a órbita lunar é inclinada cerca de 5 graus em relação ao plano da órbita da Terra. Essa inclinação faz com que, na maioria das vezes, a sombra da Lua passe acima ou abaixo da Terra, impedindo o eclipse. Apenas quando a Lua cruza os pontos de interseção das órbitas, chamados de nodos, é que o alinhamento perfeito ocorre e um eclipse pode acontecer.

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Temporada de eclipses

Essa coincidência geométrica só ocorre em duas janelas anuais de aproximadamente 40 dias, conhecidas como temporadas de eclipses. Fora delas, mesmo a Lua nova mais alinhada passa alta ou baixa demais. Por isso, o planeta tem entre dois e cinco eclipses solares por ano, somando totais, anulares, híbridos e parciais. Eclipses totais são ainda mais raros: para uma cidade específica, a média é de um a cada 375 anos.

Próximo eclipse total na Europa

A próxima coincidência geométrica desse tipo ocorrerá em 12 de agosto de 2026. A sombra da Lua atravessará o Ártico, a Groenlândia, a Islândia, o norte da Espanha e uma pequena faixa de Portugal. Será o primeiro eclipse solar total visível na Europa continental desde 1999. No Brasil, o fenômeno não será visível nem parcialmente.

Outros erros comuns sobre o céu

Além da inclinação esquecida, os pesquisadores identificam três confusões frequentes sobre o sistema Sol-Terra-Lua:

  • Fases da Lua são causadas pela sombra da Terra? Não. Isso descreve um eclipse lunar. As fases são determinadas pela posição relativa entre Sol, Terra e Lua, que ilumina diferentes porções da face lunar visível da Terra.
  • Eclipse solar ocorre na Lua cheia? Não. O eclipse solar acontece na Lua nova, quando a Lua está entre a Terra e o Sol.
  • No eclipse solar, a Terra cobre o Sol? Não. Quem passa na frente do Sol é a Lua.

Por que esses erros persistem?

O estudo aponta que a ideia errada é construída ao longo do tempo pela cultura, conversas em casa e até livros escolares. Três fatores contribuem: a representação em um único plano nos livros, que dá a impressão de que a sombra da Terra é grande; a troca de ponto de vista sem aviso entre o observador na Terra e no espaço; e a omissão da inclinação de 5 graus da órbita lunar.

Tipos de eclipse

Um eclipse solar ocorre quando a Lua se posiciona entre o Sol e a Terra, projetando uma sombra sobre a Terra. Pode ser total, parcial ou anular. No eclipse lunar, a sombra da Terra obscurece a Lua. A sombra tem duas partes: a umbra (escura) e a penumbra (clara). Quando a Lua entra na penumbra, temos o eclipse penumbral; quando entra na umbra, parcial; e quando está totalmente na umbra, total.

Eclipses de 2026

  • 17 de fevereiro: Eclipse solar parcial (não visível no Brasil)
  • 3 de março: Eclipse lunar total (visível em alguns estados do Brasil)
  • 12 de agosto: Eclipse solar total (não visível no Brasil)
  • 27-28 de agosto: Eclipse lunar parcial (visível em todo o país)

Atenção: um eclipse solar só pode ser observado com filtro especial ou olhando para o reflexo do Sol. Nenhum dos dois eclipses solares de 2026 será visível no Brasil.

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