Ranking do Índice de Progresso Social (IPS) 2026 revela os piores municípios do Brasil
Um estudo divulgado pelo Instituto Imazon, em parceria com outras organizações, na quarta-feira (20), listou as 20 piores cidades para se viver no Brasil. Entre elas, duas estão no estado do Tocantins: Recursolândia e Paranã. O levantamento, que mede a qualidade de vida com base no Índice de Progresso Social (IPS), coloca Paranã na última posição do ranking nacional, enquanto Recursolândia ocupa a 14ª colocação entre os piores resultados.
Apesar das origens e históricos diferentes, as duas cidades compartilham características como baixa densidade populacional, economia centrada na agropecuária e desafios estruturais que afetam o dia a dia dos moradores. De acordo com o IPS, esses fatores contribuem para os indicadores negativos de qualidade de vida.
Recursolândia: jovem município com baixo IDH e infraestrutura precária
Localizada no nordeste do Tocantins, a cerca de 348 quilômetros de Palmas, Recursolândia tem apenas 36 anos de existência. Surgiu de um pequeno povoado formado ao redor de uma escola rural. Com pouco mais de 3 mil habitantes, possui uma das menores densidades demográficas do estado. Segundo o IBGE, menos de 1% dos domicílios têm rede de esgoto sanitário adequada e as ruas asfaltadas são escassas.
A economia local depende principalmente da agricultura e pecuária, que concentram a maior parte dos empregos formais, conforme dados do Sebrae. No entanto, a renda baixa e o acesso limitado a serviços públicos explicam o mau desempenho nos indicadores sociais. Recursolândia tem o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Tocantins, com 0,500, considerado baixo pelo PNUD.
Paranã: história antiga, mas desafios atuais
Paranã, a cerca de 347 quilômetros da capital, tem mais de 160 anos de história. Surgiu no século XVIII como um arraial de garimpeiros e foi um importante ponto de comércio fluvial. Com o declínio do transporte fluvial, a cidade perdeu protagonismo e hoje depende da pecuária. O IDH é de 0,595, considerado médio, mas abaixo da média nacional.
Com pouco mais de 10 mil habitantes, Paranã tem densidade populacional inferior a 1 habitante por quilômetro quadrado, o que dificulta o acesso a serviços públicos. A taxa de mortalidade infantil é de 28 por mil nascidos vivos, uma das piores do estado. A rede de esgoto adequada também atende menos de 1% da população. A cidade está localizada em uma área disputada judicialmente pelos estados do Tocantins e Goiás, mas possui atrativos naturais como o Complexo Canjica.
Dados do IBGE corroboram o cenário
Dados do IBGE confirmam que ambos os municípios têm salário médio mensal de 1,6 salário mínimo para trabalhadores formais e 0% de urbanização adequada em vias públicas (presença de bueiro, calçada, pavimentação e meio-fio).
Prefeitos contestam os resultados
O prefeito de Recursolândia, Vinícius Barbosa (Republicanos), afirmou que os dados publicados não condizem com a realidade atual do município, que tem avançado em políticas públicas. Ele destacou o selo ouro em educação por dois anos consecutivos, entrega de moradias e avanços na saúde. A prefeitura solicitará revisão dos dados.
O prefeito de Paranã, Phabio Augustus (Republicanos), também contestou o ranking, citando conquistas na educação, como o Selo Ouro do Compromisso com a Alfabetização em 2024 e 2025, e melhorias nos índices oficiais. Ele informou que o município atingiu 100% de abastecimento de água na zona urbana e que obras de esgoto estão previstas para 2031.



