Crise ambiental no Irã: seca extrema e poluição alimentam onda de protestos
Crise ambiental impulsiona protestos no Irã

A onda de protestos que tomou as ruas de Teerã e de outras cidades iranianas, resultando em centenas de mortos e milhares de detidos, vai muito além das reivindicações políticas e econômicas tradicionais. Uma profunda crise ambiental, marcada por seca extrema e poluição do ar severa, tornou-se um combustível central para a revolta popular, conectando a degradação ecológica diretamente à insatisfação com o regime.

Seca histórica e o fantasma do "Dia Zero"

O país enfrenta um dos períodos de seca mais críticos das últimas décadas, com vastas regiões se aproximando de um colapso hídrico total, um estágio conhecido como "Dia Zero". Na capital, Teerã, a situação é alarmante: os reservatórios que abastecem a metrópole estão em níveis críticos, forçando cortes diários no fornecimento e racionamento de água.

Essa escassez, agravada pelas mudanças climáticas e por décadas de má gestão dos recursos hídricos, impacta diretamente a vida cotidiana. Agricultores, pequenos comerciantes e famílias sofrem as consequências, transformando a falta de água em um símbolo potente do que muitos veem como um fracasso governamental em atender às necessidades mais básicas da população.

Poluição extrema e saúde pública em risco

Paralelamente, a qualidade do ar em Teerã atingiu níveis perigosos repetidas vezes ao longo do último ano, colocando a cidade entre as mais poluídas do mundo. O smog constante não é apenas um incômodo visual; representa uma grave ameaça à saúde pública, agravando doenças respiratórias e cardiovasculares.

Para os habitantes, a incapacidade do Estado de controlar essa poluição intensifica a frustração. A degradação ambiental é vista como um reflexo de prioridades políticas distorcidas e da falta de transparência, tornando as condições de vida cada vez mais insustentáveis.

Repressão silencia vozes ambientais

A ligação entre a crise ecológica e a repressão política é direta. Cientistas, ambientalistas e defensores dos recursos hídricos têm sido alvo de prisões, frequentemente sob acusações vagas de espionagem ou de ameaçar a segurança nacional.

Essa estratégia, usada para silenciar críticas sobre a gestão da crise hídrica e da poluição, acabou por fortalecer o sentimento de injustiça. A perseguição a quem tenta alertar sobre os perigos ambientais mobilizou ainda mais setores da sociedade contra as autoridades, mostrando como a questão ecológica se entrelaça com demandas por liberdade e justiça.

A crise ambiental no Irã não é um problema isolado. Ela se conecta intrinsicamente à recessão econômica, à inflação alta e ao descontentamento político, criando um ciclo vicioso de demandas. Os protestos, que podem ter começado por motivos diversos, ganharam força porque milhões de iranianos veem sua saúde, seu sustento e seu futuro ameaçados por decisões ambientais negligentes e por uma governança que falha em responder aos desafios mais urgentes do século XXI.