Sobrevivente de soterramento em Juiz de Fora narra momentos de terror sob lama
"A minha única preocupação era que o resto descesse e me soterrasse completamente." Este é o relato angustiante de Tarcílio, morador do bairro Linhares em Juiz de Fora, que sobreviveu milagrosamente a um soterramento durante o violento temporal que assolou a cidade mineira. Preso pela lama e por entulhos por aproximadamente uma hora, ele conseguiu se libertar sozinho antes de receber auxílio de vizinhos.
O resgate e as consequências físicas
"Fiquei com a perna presa e a lateral do corpo imobilizada, mas consegui sair. Chamei a vizinha e ela me socorreu. Tomei até um banho gelado porque estava completamente coberto de barro e passei a noite inteira deitado, chorando de dor, até amanhecer", descreveu emocionado. Após o resgate, Tarcílio foi encaminhado à UPA Norte devido a um corte profundo na panturrilha e outros ferimentos. Recebeu atendimento médico e foi liberado, expressando esperança de recuperação gradual.
Perdas materiais e familiares
As conquistas materiais da família foram completamente perdidas no desastre. "Perdi tudo. Moravam apenas eu e minha mãe na casa. Ela não estava presente no momento e não se feriu. Agora preciso correr atrás, buscar uma casinha melhor para minha mãe, que está abrigada com parentes. Meu emprego também foi perdido, pois trabalho sem carteira assinada", lamentou o sobrevivente.
O temporal devastador
O temporal, caracterizado por cheias e deslizamentos, atingiu Juiz de Fora entre a noite do dia 23 e a madrugada do dia 24 de fevereiro de 2026. O evento climático extremo resultou em:
- Pelo menos 40 mortes nos bairros Parque Burnier, Santa Rita, Vila Ideal, Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa
- Dezenove pessoas desaparecidas
- Centenas de desabrigados e desalojados
- Quase 990 ocorrências registradas, principalmente:
- Escorregamentos de barranco
- Ameaças de escorregamento
- Alagamentos severos
- Cerca de mil pessoas sem energia elétrica na cidade
O grupo de sobreviventes permaneceu unido até a manhã de terça-feira, já que todos ficaram sem acesso às suas residências e comunicações. A tragédia expôs a vulnerabilidade de comunidades frente a eventos climáticos extremos e a necessidade urgente de medidas preventivas e de assistência às vítimas.