Prefeita de Juiz de Fora descreve 'sensação de impotência' após tragédia das chuvas com 16 mortes
A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, definiu como "uma sensação de impotência" o cenário enfrentado pela cidade mineira após as intensas chuvas que já resultaram em 16 mortes confirmadas. Em entrevista exclusiva ao programa Ponto de Vista, da revista VEJA, a gestora municipal revelou o drama vivido pela população e pela administração pública diante da maior tragédia climática de seu mandato.
Drama histórico e cenário de emergência
Margarida Salomão afirmou que esta é a primeira vez, em mais de cinco anos e dois meses à frente da prefeitura, que Juiz de Fora registra vítimas fatais em decorrência de temporais. "Talvez seja o dia mais triste", declarou a prefeita, emocionada ao relatar os acontecimentos. O mês de fevereiro já acumula impressionantes 640 milímetros de chuva, valor que representa quase quatro vezes a média histórica para o período.
O volume extraordinário de precipitação deixou o solo completamente encharcado, provocando deslizamentos de terra em diversas áreas da cidade, incluindo regiões centrais e encostas que já haviam sido mapeadas como zonas de risco. A prefeita descreveu o momento crítico: "Ontem, diante de uma chuva que não passava, o que eu podia fazer era rezar", confessou durante a entrevista.
Apoio federal e mobilização imediata
Após relatar o drama vivido pela população, Margarida Salomão informou ter recebido uma ligação direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que mesmo em viagem ao exterior demonstrou solidariedade e ofereceu apoio integral do governo federal. Segundo a prefeita, o presidente colocou toda a estrutura federal à disposição do município para enfrentar a emergência.
O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, também entrou em contato com a administração municipal para oferecer suporte imediato. A ajuda federal inclui:
- Recursos emergenciais da Defesa Civil Nacional
- Envios de assistência humanitária prioritária
- Suporte completo do Ministério da Saúde, com medicamentos e estrutura para atendimento emergencial
Prioridades da gestão municipal
Margarida Salomão afirmou que, como gestora pública, sua prioridade absoluta é salvar vidas e garantir abrigo adequado às famílias desalojadas pela tragédia. A prefeitura está utilizando equipamentos públicos estratégicos para acolher moradores que foram obrigados a deixar suas residências devido aos deslizamentos e inundações.
A orientação das autoridades é direta e urgente:
- Moradores de áreas de risco já diagnosticadas devem evacuar imediatamente
- Pessoas em locais considerados seguros devem evitar deslocamentos desnecessários enquanto persistirem as previsões de novas chuvas
- Toda a população deve seguir rigorosamente as orientações da Defesa Civil municipal
Mobilização comunitária e desafios futuros
A prefeita destacou a impressionante mobilização da população juiz-forana durante a crise. Empresários locais ofereceram maquinário pesado para auxiliar nas operações de resgate, enquanto voluntários se apresentaram espontaneamente para colaborar com os trabalhos emergenciais. "Solidariedade é uma marca registrada da cidade", afirmou Margarida com orgulho.
No entanto, a gestora reconheceu o tamanho do desafio que Juiz de Fora e outras cidades brasileiras enfrentam diante das mudanças climáticas. "As cidades não estão imunes a eventos cada vez mais extremos. O que vivemos aqui foi um ponto fora da curva", declarou, defendendo investimentos estruturais urgentes para reduzir a vulnerabilidade do município.
A prefeitura espera ampliar significativamente o acesso a recursos federais para obras de infraestrutura crítica, especialmente em contenção de encostas e sistemas de drenagem urbana. Margarida Salomão enfatizou que apenas investimentos permanentes em prevenção poderão proteger a população diante da avançada emergência climática que afeta todo o país.