Na moda, o tema da semana foi um clássico: a polêmica em torno de uma opinião sobre um evento, no caso, o Rio Fashion. Primeiro, as supostas revelações de possíveis cópias, como uma saia próxima de uma francesa e um fio-dental parente de um italiano. Uma pesquisa que deve ter dado trabalho, mas que ignora que o fio-dental já fazia parte da coleção da Bumbum nos anos 1980, enquanto a proposta italiana surgiu nos anos 1990. A tal saia pode ter sido uma referência de homenagem à francesa, no final de um desfile brilhante no Rio. Uma colcha de retalhos de cópias? Quem sabe, seria um compilado direto da moda de rua? Por que não pode apresentar um estilo com mais coerência, com um frescor irreverente?
A importância do Rio Fashion
Na opinião, deixa de ser citada a importância de uma semana de moda no Rio, a cidade mais lançadora do país. Como na França: a semana de lá poderia ser em Lyon, cidade importante industrialmente, mas os desfiles são em Paris, a vitrine. Quanto à importância da opinião, podemos avaliar pelo conhecimento de quem fala ou escreve. Atualmente, qualquer pessoa pode falar o que quiser, e quem ouve concorda ou não. Levando em conta que nem sempre quem escreve ou quem lê tem alguma noção do valor da moda, que tradicionalmente só perde para o petróleo em termos de gerar empregos.
O papel dos profissionais de moda
No Brasil, existe ainda um grupo de profissionais dedicados à moda, como jornalistas, que circula pelo país há alguns anos. A maioria tem isenção e visão da evolução de uma marca. Há também a renovação dos digitais, que falam com seriedade sobre as mudanças, sem sinais de autopromoção ou compromisso com marcas. Chega a ser divertido ler ou ver a opinião de quem nunca foi visto nos mesmos eventos deste grupo. Quem sabe, se a pessoa continuar frequentando ou acompanhando as histórias desta atualmente heroica atividade empenhada em vestir ou surpreender a humanidade, talvez aprenda a analisar a moda como se faz com obra de arte: digamos, o Impressionismo. O Van Gogh copiou o Monet? O Primitivo ou Naïf da Djanira era cópia do Heitor dos Prazeres? São fases de mentes criativas.
O que faltou e o que sobrou no Rio Fashion
Desculpem a digressão. Agora eu digo o que faltou e o que sobrou no Rio Fashion. Sobrou gente. O fato de haver público pagante deixou a moda em segundo plano. Moda não é entretenimento, é trabalho sério. Para cobrar, tem que limitar o número de pagantes. O que faltou? Ora, eu quero Ronaldo Fraga, Lino Villaventura, Reinaldo Lourenço, Gloria Coelho, nomes que, junto com os tops Lenny, Capeto, Osklen, Vieira, Blue Man, Animale, Maria Filó, Farm formariam um evento de alto nível capaz de acolher marcas novas ou ainda a caminho da notoriedade. E quero que tenhamos o Rio Fashion no segundo semestre, para enfatizar a graça da roupa de verão, de praia, de fim de ano.



