Entenda o 'calote' da fábrica de móveis planejados Planearte em Ribeirão Preto
Calote da Planearte: o que se sabe sobre o caso em Ribeirão Preto

O que se sabe sobre o 'calote' da fábrica de móveis planejados Planearte em Ribeirão Preto

Nos últimos meses, o sonho da casa nova se transformou em pesadelo para moradores de Ribeirão Preto (SP) que afirmam ter sofrido um 'calote' da Planearte, tradicional fábrica de móveis planejados da cidade. Os clientes relatam que, após realizarem pagamentos antecipados, não receberam os projetos contratados. Além disso, os responsáveis pela empresa interromperam as atividades e não foram mais encontrados para prestar esclarecimentos. O sindicato que representa os funcionários confirma que a fábrica demitiu empregados, mas não pagou as verbas rescisórias.

Os casos estão sendo registrados na Polícia Civil por meio de boletins de ocorrência e também motivaram ações na Justiça. A EPTV, afiliada da TV Globo, tentou contato com os responsáveis pela Planearte, mas eles não se manifestaram sobre as denúncias. Confira abaixo os detalhes do caso.

Qual é a empresa denunciada e qual era sua atuação no mercado?

A empresa alvo das denúncias é a Planearte, uma fábrica de móveis planejados que atuava há cerca de 15 anos em Ribeirão Preto e região. Em suas redes sociais, onde acumula 20 mil seguidores, a companhia afirmava ter entregue mais de cinco mil projetos de mobiliário e oferecia garantias de até dez anos. A estrutura contava com uma fábrica na zona norte e um showroom na zona sul, mas ambos os locais foram encontrados vazios ou com atividades paralisadas. Segundo clientes, a fachada da loja foi retirada e o maquinário da fábrica foi removido. "Eu fui à fábrica, não tinha mais funcionário, não tinha nada. O showroom deles, eles tiraram a fachada e fecharam", relatou o empresário Douglas Santos.

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Desde quando os problemas têm ocorrido e qual a situação atual das operações?

Embora a interrupção tenha ocorrido recentemente, há indícios de que a Planearte enfrentava dificuldades financeiras desde o ano passado. Clientes afirmam que atrasos nas entregas e descaso no atendimento tornaram-se frequentes a partir do segundo semestre de 2025. A situação culminou na paralisação sem aviso prévio ou satisfação aos contratantes que já haviam efetuado pagamentos antecipados. Vídeos feitos por clientes mostram a fábrica às escuras e sem os equipamentos de produção. "Não tinha nada, tiraram o maquinário, TVs que tinham lá, geladeira, ar-condicionado, tiraram até a fiação elétrica, estava sem luz", afirmou Douglas Santos ao registrar o estado do local.

De quanto têm sido os prejuízos e quantas pessoas foram prejudicadas?

Os prejuízos individuais são significativos, com projetos que variam de R$ 25 mil a mais de R$ 100 mil. Um dos casos envolve um projeto de R$ 120 mil, onde cheques dados como pagamento foram repassados a terceiros e agora são alvo de cobrança judicial contra a própria vítima. "Esse cheque ele passou para terceiros e agora, depois de quase um ano, esse terceiro entrou com um processo contra a minha pessoa, querendo receber o dinheiro dele", afirma o gerente de vendas Clayton Alvares Peres. Ao menos 12 pessoas registraram boletins de ocorrência contra a empresa, segundo apuração da EPTV. Além dos consumidores, dezenas de funcionários foram demitidos sem o pagamento de verbas rescisórias, conforme o sindicato da categoria. Uma funcionária que saiu de licença maternidade recentemente e preferiu não se identificar disse: "Quero saber se vou ter o auxílio maternidade ou não. Como vai ficar essa situação? Para mim está muito difícil".

Como os casos têm sido tratados na Polícia Civil e na Justiça?

As denúncias estão sendo formalizadas na Polícia Civil. Paralelamente, ações cíveis foram ajuizadas buscando o ressarcimento dos valores e a suspensão de cobranças em cartões de crédito. No âmbito trabalhista, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Civil de Ribeirão Preto e Região (Siticoncirp) estuda mover ações coletivas e denúncias junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT). "É uma situação aflitiva, porque eles [empregados] não receberam pelos dias que trabalharam e também não estão recebendo o acerto que poderia ser um apoio financeiro agora nesse período de desemprego. É muito injusto", afirma Nelson Bonifácio Fernandes Pereira, advogado do sindicato.

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O que o dono da empresa falou sobre as denúncias?

O proprietário da Planearte, Fernando Barbosa, alegou em reuniões anteriores com o sindicato que a empresa passava por dificuldades financeiras agravadas pela crise e por calotes de clientes, segundo o advogado do Siticoncirp. O empresário chegou a firmar acordos para pagar dívidas trabalhistas em parcelas, mas cumpriu apenas o primeiro pagamento antes de desaparecer e interromper comunicações desde o fim de abril. Vítimas relatam que, ao ser questionado diretamente antes do sumiço, Barbosa mostrava-se ofendido com as cobranças judiciais. "Ele se ofendeu por eu ter pedido para o meu advogado entrar em contato com ele, me ligou falando que isso era um absurdo, que ele nunca tinha recebido um processo na vida", contou Douglas Baccan. Procurado pela EPTV, o empresário não se manifestou sobre as denúncias até a publicação desta reportagem.