Chuva intensa provoca novos deslizamentos e eleva mortes para 47 em Juiz de Fora, MG
A partir desta quarta-feira, 25, a tragédia que atinge a Zona da Mata mineira desde a madrugada de terça-feira, 24, continua a se agravar com novos deslizamentos de terra em Juiz de Fora, Minas Gerais. O Parque Burnier é um dos bairros mais afetados pelos temporais que vêm castigando a região, com equipes de resgate trabalhando incessantemente para encontrar sobreviventes.
Número de mortes sobe e resgate enfrenta dificuldades
O número de mortes na Zona da Mata mineira foi atualizado para 47, sendo 41 apenas em Juiz de Fora, conforme informado pelos bombeiros e pela Defesa Civil na noite desta quarta-feira. A chuva intensa durante a tarde complicou ainda mais as operações, com novos alertas emitidos e a previsão de mais temporais a qualquer momento, dificultando significativamente o trabalho das equipes.
No bairro Cerâmica, na Zona Norte de Juiz de Fora, as buscas por desaparecidos continuam em seis pontos da cidade. Os bombeiros procuram um homem de 24 anos que ainda não foi localizado. Além disso, um novo deslizamento foi registrado no início da noite na região leste, no bairro Três Moinhos, onde três casas desabaram. Felizmente, essas residências estavam vazias, pois a área já havia sido desocupada por ser considerada de risco.
Riscos de novos deslizamentos e esforços de resgate
Em outras áreas da cidade, os bombeiros trabalham há dois dias para tentar encontrar desaparecidos, concentrando esforços em pontos indicados por cães farejadores. Em uma região onde 12 casas foram destruídas, há riscos elevados de novos deslizamentos. Durante a tarde, apitos foram usados para afastar voluntários e isolar o local, devido à instabilidade do solo.
“A dificuldade que nós temos aqui nesse cenário é que o deslizamento de terra vem com muita terra envolvendo escombros. Isso gera uma instabilidade do solo muito grande. Nós temos também o risco de réplica, que é um novo deslizamento”, explicou o tenente Jhonlison Fonseca, do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.
O aposentado José Carlos da Fonseca, que mora ao lado da área que cedeu, relatou sua preocupação: “O bombeiro disse que é área de risco. Então, na noite passada, eu nem dormi. Essa noite, eu consegui dormir, mas não dormi tranquilo”.
Mobilização e impactos na comunidade
Bombeiros de Barbacena e Belo Horizonte se juntaram às buscas, enquanto a Defesa Civil interditou mais de dez imóveis por risco estrutural. Entre eles, está a casa do motorista Edilson Carlos, que descreveu sua experiência angustiante: “O entulho prensou a porta, e a gente não saía. E a janela, com a grade, também não saía. Por muito custo consegui ligar para o meu irmão. Naquele momento não tinha ninguém na rua. Liguei para ele, ele meteu a marreta ali até quebrar a parede um pouquinho, e foi como eu consegui sair”.
As marcas do temporal estão por toda a cidade, com lama cobrindo várias ruas e alguns trechos permanecendo bloqueados. Uma mulher resgatada com vida dos escombros na terça-feira, Jaqueline Teodoro, de 32 anos, faleceu na madrugada desta quarta-feira no hospital.
Histórias de perda e esperança
Em meio à dor, há também momentos de alívio. A aposentada Sandra Rosa perdeu familiares no deslizamento, mas durante as buscas recebeu a notícia de que Antony, de 6 anos, estava vivo debaixo dos escombros. “Minha filha acabou de ser sepultada agora. Porque na hora do desabamento, ela estava dentro de casa. Ela jogou em cima do Antony. Aí ela salvou a vida do filho e ficou por cima”, disse Sandra.
O menino Anthony Rosa contou sua experiência: “Eu estava enterrado com terra. Aí quem me ajudou foi um moço. Aí o tio me ajudou e me levou para o hospital”.
No Instituto Médico Legal, famílias chegam constantemente em busca de informações, enquanto os corpos de nove vítimas foram enterrados nesta quarta-feira no cemitério municipal, em um momento de grande comoção para a comunidade.



