Mulher perde 17 familiares em temporal que assola Juiz de Fora
As fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora no início desta semana deixaram um rastro de destruição e luto na cidade mineira, com histórias pessoais que ilustram a dimensão da tragédia. Entre as vítimas, destaca-se o caso de Maria Aparecida Batista, que perdeu 17 parentes entre mortos e desaparecidos devido ao temporal.
Família devastada nos bairros mais afetados
Em entrevista emocionada à TV Integração, durante os velórios e sepultamentos, Maria Aparecida revelou que três de seus familiares já faleceram e outros 14 permanecem soterrados. A família residia nos bairros JK e Parque Jardim Burnier, duas das regiões mais gravemente impactadas pelas chuvas intensas.
"Perdi 17 pessoas da minha família. Duas já foram enterradas, uma será enterrada agora, e ainda temos 14 soterradas", declarou a mulher, cuja voz tremia ao descrever a magnitude da perda.
Temporal histórico com mais de 45 mortos
As precipitações, que ocorreram entre a noite de segunda-feira, 23, e a madrugada de terça-feira, 24, resultaram em mais de 45 óbitos confirmados em Juiz de Fora e na cidade vizinha de Ubá. Os bombeiros continuam as buscas por dezenas de desaparecidos, em uma operação que se estende por dias.
Maria Aparecida afirmou que esta foi a primeira vez que testemunhou uma catástrofe de proporções tão avassaladoras. Ela também destacou as dificuldades extremas enfrentadas pelas equipes de resgate na localização das vítimas.
"Eles estão encontrando muita dificuldade para localizar os corpos porque a terra está muito molhada e com muito barro. Está difícil encontrá-los", explicou, referindo-se às condições do terreno encharcado que complicam os trabalhos.
Força em meio ao luto coletivo
Em meio à dor e à tristeza que assolam a comunidade, Maria Aparecida busca reunir forças para apoiar os parentes que sobreviveram ao desastre. Ela descreve um esforço sobre-humano para manter a firmeza diante da tragédia.
"A cabeça fica triste, mas eu preciso ser forte para dar apoio à minha família. Uma parente minha chegou a desmaiar. Precisamos nos manter firmes. Só Deus dá força para resistir a tudo isso", completou, em um testemunho que ressoa entre muitos moradores afetados.
A tragédia em Juiz de Fora expõe a vulnerabilidade de comunidades frente a eventos climáticos extremos e a importância da solidariedade em momentos de crise. Enquanto as buscas continuam, histórias como a de Maria Aparecida lembram o custo humano por trás dos números oficiais.