Após críticas a Zema, Lula sobrevoa áreas devastadas pelas chuvas na Zona da Mata de Minas
Lula sobrevoa áreas devastadas por chuvas em MG após criticar Zema

Presidente sobrevoa regiões devastadas e reforça apoio federal após tragédia climática

Neste sábado, 28 de fevereiro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou um sobrevoo pelas áreas mais afetadas pelas intensas chuvas na Zona da Mata mineira, região que enfrenta uma das piores tragédias climáticas dos últimos anos. O objetivo da visita presidencial foi dimensionar pessoalmente a extensão dos estragos e coordenar ações emergenciais com as autoridades locais.

Reunião com prefeitos para avaliar necessidades urgentes

Após o sobrevoo, Lula manteve encontro com os prefeitos dos municípios mais atingidos: Ubá, Juiz de Fora e Matias Barbosa. A reunião teve como foco principal o reforço das ações de apoio às vítimas e a avaliação das necessidades mais prementes de cada localidade. Os gestores municipais apresentaram relatos detalhados sobre a situação catastrófica que assola suas comunidades desde o início da semana.

Balanço trágico: 66 mortes confirmadas e milhares desabrigados

Até a manhã deste sábado, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais confirmou um trágico balanço de 66 vidas perdidas:

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  • 60 mortes em Juiz de Fora
  • 6 mortes em Ubá

Além das fatalidades, três pessoas permanecem desaparecidas: duas em Ubá e um menino de 9 anos em Juiz de Fora. As equipes de resgate continuam atuando em condições extremamente adversas, com solo saturado e risco constante de novos deslizamentos e alagamentos.

A situação humanitária é gravíssima, com milhares de famílias desabrigadas e desalojadas. Muitos bairros afetados foram construídos em encostas desmatadas e densamente ocupadas, o que aumenta significativamente a vulnerabilidade a movimentos de massa durante períodos de chuvas intensas.

Alerta meteorológico mantém situação de "grande perigo"

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém alerta máximo de "grande perigo" para chuvas intensas até o final deste sábado. As previsões indicam acumulados que podem atingir até 100 milímetros por dia, acompanhados de rajadas de vento capazes de agravar ainda mais os danos à infraestrutura já comprometida.

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) classifica como muito alta a probabilidade de novos episódios de enxurradas e inundações, especialmente em Juiz de Fora, onde o volume acumulado de precipitação já supera mais que o dobro da média histórica para o mês de fevereiro.

Disputa política em meio à tragédia

Na véspera da visita, Lula politizou o desastre ao criticar publicamente a gestão do governador mineiro Romeu Zema. O presidente afirmou que o estado recebeu R$ 3,5 bilhões por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) sem apresentar projetos estruturantes de prevenção a enchentes e deslizamentos.

A declaração gerou intenso debate no cenário político mineiro. Aliados do governador argumentaram que a gestão ambiental envolve variáveis climáticas imprevisíveis e destacaram que os esforços de assistência vêm sendo ampliados continuamente. Até o momento, Zema não apresentou resposta direta às críticas presidenciais, mas sua equipe reiterou a cooperação com o governo federal nas ações de resgate e apoio às vítimas.

Contexto de vulnerabilidade e desafios futuros

A tragédia expõe problemas estruturais de longa data na região, incluindo:

  1. Ocupação irregular de áreas de risco
  2. Falta de infraestrutura adequada de drenagem
  3. Desmatamento de encostas
  4. Planejamento urbano insuficiente

Especialistas alertam que eventos climáticos extremos tendem a se tornar mais frequentes e intensos, exigindo políticas públicas mais robustas de prevenção e adaptação. A visita presidencial ocorre em um momento crítico, onde a assistência humanitária imediata se entrelaça com debates sobre responsabilidades políticas e soluções de longo prazo para reduzir a vulnerabilidade das populações.

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