Escola que servia de abrigo em Juiz de Fora é evacuada por risco iminente de deslizamentos
A Escola Municipal Antônio Faustino da Silva, localizada no bairro de Três Moinhos em Juiz de Fora, na zona da mata de Minas Gerais, precisou ser completamente esvaziada nesta semana devido ao alto risco de novos deslizamentos. A instituição, que vinha funcionando como abrigo para pessoas afetadas pelas fortes chuvas desde a noite de segunda-feira (23), foi considerada insegura pelas autoridades.
Risco geológico força realocação de desabrigados
A escola fica próxima a uma encosta que apresenta clarões e sinais evidentes de instabilidade, com risco constante de novos acidentes. Por precaução, todos os desalojados que estavam abrigados no local foram transferidos para outros pontos de acolhimento na cidade. A vizinhança estima que aproximadamente 100 pessoas precisaram deixar a escola às pressas.
"Dormi aí na primeira noite, mas precisamos nos deslocar para outros lugares", relata o aposentado Mário Ramos, de 68 anos. "Agora passo o dia ajudando a distribuir doações e limpar, e à noite vou para outro abrigo", completa, demonstrando a rotina improvisada dos afetados.
Cenário de destruição e lama nas ruas
A rua onde está localizada a escola evacuada está completamente tomada por lama, enquanto as casas do entorno apresentam sinais visíveis de danos causados pelos deslizamentos de terra. São visíveis rachaduras estruturais, clarões nas encostas e até desmoronamentos de cômodos inteiros em diversas residências.
Dentro da escola, ainda permanecem pertences dos desabrigados que não puderam ser retirados durante a evacuação emergencial. A maior parte dos abrigos disponíveis na cidade são instituições de ensino, o que levou à suspensão das aulas até sexta-feira (27).
Balanço trágico das chuvas na região
Os números da tragédia continuam aumentando. Até o momento, foram registrados 46 óbitos e 21 desaparecidos em decorrência das chuvas intensas que atingiram a região. Em Juiz de Fora especificamente, são 40 vítimas fatais confirmadas e 19 pessoas que seguem desaparecidas.
Já no município de Ubá, foram contabilizados seis óbitos e dois desaparecidos. A Polícia Civil informa que 34 corpos encontrados em Juiz de Fora foram encaminhados ao Posto Médico-Legal, com 33 deles já devidamente identificados. Todas as vítimas de Ubá também tiveram suas identidades reconhecidas.
Estado de calamidade pública e operação de resgate
A Prefeitura de Juiz de Fora declarou estado de calamidade pública desde a madrugada de terça-feira (24) e estima que existam aproximadamente 3.500 desalojados em todo o município. As equipes de resgate continuam atuando intensamente, com a corporação trabalhando em oito frentes diferentes para localizar desaparecidos e prestar assistência às comunidades afetadas.
A situação permanece crítica, com a Defesa Civil monitorando constantemente as áreas de risco e coordenando a realocação de famílias que ainda se encontram em locais vulneráveis a novos deslizamentos.



