Minas Gerais: Chuvas intensas elevam para 70 o número de mortos na Zona da Mata
Chuvas em MG: mortos sobem para 70 na Zona da Mata

Minas Gerais registra 70 mortes após chuvas devastadoras na Zona da Mata

O estado de Minas Gerais enfrenta uma das maiores tragédias climáticas dos últimos anos, com o número de mortos subindo para 70 devido às intensas chuvas que atingiram a região da Zona da Mata. As cidades mais afetadas são Juiz de Fora, com 64 óbitos confirmados, e Ubá, que registrou seis vítimas fatais. Além disso, pelo menos três pessoas permanecem desaparecidas, enquanto equipes de resgate continuam as buscas sob os escombros.

Destruição generalizada e milhares de desabrigados

Desde a última segunda-feira, 23 de fevereiro, a Defesa Civil de Juiz de Fora contabilizou impressionantes 2.367 ocorrências em toda a cidade. Entre os principais problemas relatados estão:

  • Deslizamentos de terra em diversas áreas residenciais
  • Ameaças iminentes de novos deslizamentos
  • Alagamentos extensos que comprometeram a mobilidade urbana
  • Danos estruturais graves em residências e vias públicas

A situação humanitária é crítica, com mais de 8.500 pessoas obrigadas a abandonar suas casas devido aos riscos de desabamento e enchentes. Esses desabrigados foram direcionados para abrigos municipais, onde recebem assistência básica enquanto aguardam o retorno às suas residências.

Suspensão das atividades educacionais

O impacto das chuvas também atingiu fortemente o sistema educacional da região. As aulas na rede municipal de ensino continuam suspensas por tempo indeterminado, afetando milhares de estudantes. Na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), as atividades acadêmicas estão paralisadas desde o início da semana devido aos alagamentos e à dificuldade de acesso ao campus.

A administração da UFJF se reúne nesta sexta-feira para avaliar a possibilidade de retomada do calendário acadêmico na próxima segunda-feira, 2 de março. A decisão dependerá diretamente da evolução das condições climáticas e da infraestrutura da cidade.

Risco permanente e volumes pluviométricos recordes

Apesar de um certo alívio nas tempestades mais recentes, a cidade de Juiz de Fora permanece em estado de atenção para novos temporais. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) revelam números alarmantes: entre os dias 1º e 26 de fevereiro, a cidade registrou 733,6 milímetros de chuva, volume que representa quase quatro vezes o esperado para todo o mês.

A previsão meteorológica indica a possibilidade de mais pancadas de chuva em regiões isoladas da cidade neste sábado, mantendo as autoridades em alerta máximo. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) emitiu boletim destacando que o nível de risco geológico, incluindo deslizamento de encostas e queda de barreiras, assim como o risco hidrológico, com enxurradas e alagamentos, permanecem elevados em toda a Zona da Mata mineira.

As equipes de resgate, bombeiros e voluntários continuam trabalhando incessantemente para localizar sobreviventes, limpar os destroços e prestar assistência às famílias afetadas por esta que já é considerada uma das maiores tragédias climáticas da história recente de Minas Gerais.