Tempestades devastadoras na zona da mata mineira causam tragédia com 22 vítimas fatais
As fortes chuvas que atingem a região da zona da mata de Minas Gerais desde a noite de segunda-feira (23) resultaram em uma tragédia de grandes proporções, com pelo menos 22 pessoas mortas e centenas de desabrigados. As cidades de Juiz de Fora e Ubá concentram os maiores danos e o maior número de vítimas, levando as autoridades locais a decretarem estado de calamidade pública.
Juiz de Fora registra 16 óbitos e decreta situação de emergência
Em Juiz de Fora, a prefeita Margarida Salomão (PT) decretou estado de calamidade pública ainda durante a madrugada de terça-feira, após confirmar 16 mortes na cidade. Os bairros mais afetados foram JK e Santa Rita, com quatro óbitos cada, seguidos por Vila Ideal (dois mortos), Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa, com uma vítima fatal cada.
A tempestade provocou pelo menos 20 soterramentos de imóveis, principalmente na região sudeste do município, onde uma encosta deslizou no bairro Parque Jardim Burnier, soterrando 12 propriedades e deixando quatro mortos e 17 desaparecidos. A Defesa Civil local atendeu 251 ocorrências relacionadas às chuvas, enquanto 440 pessoas estão desabrigadas e recebendo acolhimento temporário em três escolas da cidade.
Ubá enfrenta inundações históricas com seis mortes confirmadas
Na cidade de Ubá, localizada a 111 quilômetros de Juiz de Fora, as chuvas intensas registraram aproximadamente 170 milímetros de precipitação em apenas três horas e meia, causando a elevação do rio Ubá para 7,82 metros. O transbordamento gerou inundações em área urbana, afetando diversos bairros, ruas e estabelecimentos comerciais.
O prefeito José Damato Neto (PSD) também decretou calamidade pública após confirmar seis mortes na cidade. Três pontes estão totalmente danificadas e ocorreram desabamentos de três imóveis na avenida Cristiano Roças e de uma residência na rua da Harmonia. Pelo menos duas pessoas permanecem desaparecidas, segundo informações da prefeitura local.
Resposta governamental e mobilização de equipes de resgate
O governador Romeu Zema (Novo) decretou luto oficial de três dias em todo o estado e anunciou que se deslocará para a região afetada ainda nesta terça-feira ou na manhã de quarta (25). "Minas está presente e fará tudo o que estiver ao seu alcance para amenizar esse sofrimento", afirmou o governador.
O ministro de Integração e Desenvolvimento Regional do governo federal, Waldez Góes, informou que equipes da Defesa Civil nacional estão se dirigindo à região de Juiz de Fora para atuar em conjunto com as autoridades locais. A corporação de bombeiros já conta com um adicional de 150 agentes de outras localidades, reforçando as operações de resgate.
Consequências urbanas e medidas emergenciais
As chuvas causaram sérios danos à infraestrutura urbana em ambas as cidades:
- Transbordamento do rio Paraibuna e interdição da ponte Vermelha e do túnel Mergulhão em Juiz de Fora
- Deslizamentos de terra que impediram o trânsito na serra dos Bandeirantes e na Garganta Dilermando
- Queda de árvores que prejudicou o tráfego na avenida Brasil
- Pelo menos dez pontos de alagamento na cidade, alguns dos quais já haviam se normalizado na manhã de terça-feira
A prefeita Margarida Salomão suspendeu as aulas no município e determinou trabalho remoto para os servidores que atuam na sede da prefeitura. O decreto de calamidade pública, com validade de 180 dias, agiliza o recebimento de recursos estaduais e federais para auxiliar na recuperação.
Contexto climático e perspectivas preocupantes
Juiz de Fora enfrenta o fevereiro mais chuvoso de sua história, com 589 milímetros acumulados até o momento - o dobro do esperado para todo o mês. A Defesa Civil estadual alerta que o avanço de uma nova frente fria poderá provocar mais chuvas intensas inicialmente na zona da mata e no sul e sudoeste de Minas Gerais.
Nas redes sociais, vídeos mostram cenas dramáticas de moradores tentando socorrer vizinhos ilhados, casas desmoronando, ruas completamente alagadas e pedidos de ajuda de pessoas presas em destroços de desabamentos. A prefeita destacou a necessidade de uma mobilização de voluntários para ajudar as famílias afetadas e afirmou que a cidade precisará de um período significativo de recuperação.