Estudantes da Unesp paralisam atividades em Araraquara e Rio Claro
Os alunos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) nos campi de Araraquara e Rio Claro, no interior de São Paulo, paralisaram suas atividades acadêmicas como parte de uma greve estudantil que abrange as três universidades estaduais paulistas: USP, Unicamp e a própria Unesp. O movimento reivindica melhorias na permanência estudantil e na infraestrutura das faculdades. Segundo a universidade, não há registro de paralisação na unidade de São João da Boa Vista.
Cursos que aderiram à greve
Em Araraquara, os cursos de ciências sociais, farmácia, engenharia de bioprocessos e biotecnologia, administração pública, ciências econômicas, letras e pedagogia aderiram ao movimento. Já em Rio Claro, os cursos de física, geografia, educação física, pedagogia, biologia, ecologia, computação e engenharia ambiental também paralisaram as atividades até o momento.
Reivindicações dos estudantes
O diretor do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Unesp - Helenira Resende, Guilherme Nogueira, afirmou que o movimento luta por um maior repasse financeiro às universidades. Segundo ele, a Unesp recebe um valor insuficiente para manter seus 24 campi. Entre as principais reivindicações, os estudantes pedem o reajuste da bolsa auxílio de R$ 800 para R$ 1.874, valor equivalente ao salário mínimo paulista, além do aumento da oferta desse benefício para atender mais alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Nogueira destacou que o número de estudantes oriundos de escolas públicas e em situação de vulnerabilidade dobrou na instituição.
Outra demanda é a contratação de professores efetivos. De acordo com o diretor do DCE, os cursos de licenciatura enfrentam uma grande quantidade de docentes substitutos, contratados temporariamente por períodos de 6 a 10 meses. Essa situação atrasa o início das aulas em até uma semana ou, em alguns casos, um mês, enquanto a contratação é finalizada. Nogueira explicou que a falta de docentes efetivos prejudica a pesquisa e a extensão universitária, já que os substitutos não conseguem desenvolver plenamente esses pilares.
Além disso, os estudantes lutam pela aprovação das cotas trans e do vestibular indígena. A expectativa do DCE é que a greve se estenda para São João da Boa Vista, que ainda não aderiu ao movimento.
O diretor da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEESP) e aluno da Unesp de Araraquara, Arthur Gimenes, acrescentou que a melhoria dos restaurantes universitários também está na pauta. Ele relatou que a Unesp de Araraquara enfrenta uma precarização grave, com alunos encontrando objetos estranhos na alimentação, como pregos, plásticos e larvas.
Posição da Unesp
Procurada pelo g1, a Unesp informou que cabe a cada direção de unidade decidir sobre a manutenção das aulas e como serão tratadas as ausências dos alunos em caso de comprometimento do calendário escolar. A universidade reconhece o direito de manifestação dos estudantes e afirma que as reivindicações estão sendo tratadas no âmbito do Cruesp, o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas.
Situação dos servidores
O Sindicato dos Trabalhadores da Unesp (Sintunesp) informou que a categoria dos servidores técnico-administrativos realizará assembleias entre os dias 15 e 21 de maio para deliberar sobre um indicativo de greve, decidido após reunião de negociação da data-base. Apenas após essas assembleias será possível apresentar um panorama da mobilização nos 24 campi da universidade.
USP não se manifesta
O g1 entrou em contato com a Universidade de São Paulo (USP) e com o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP para verificar a adesão dos alunos de São Carlos e Pirassununga ao movimento, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) também foi procurado, mas não se posicionou.



