Dois anos após a enchente que devastou o Rio Grande do Sul, 23 pessoas continuam desaparecidas
Desde maio de 2024, quando a força das águas destruiu cidades inteiras no estado, 23 pessoas permanecem oficialmente desaparecidas. A última atualização da Defesa Civil do Estado, de agosto de 2025, confirma 185 mortes em decorrência da tragédia climática. Passados mais de 700 dias, as buscas físicas por essas vítimas não ocorrem mais, pois não surgiram novos vestígios. No entanto, a investigação policial segue em aberto.
Buscas físicas encerradas, mas investigação continua
De acordo com o Corpo de Bombeiros, as operações de procura foram interrompidas porque todos os meios disponíveis foram esgotados e não há novas informações. A corporação realizou buscas por terra, ar, água, em montanhas de entulhos e com cães farejadores. Os bombeiros explicam que esse tipo de busca pode ser retomado apenas se surgirem indícios concretos sobre possíveis locais onde as vítimas possam estar.
O delegado Mário Souza, diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, esclarece que, apesar do fim das buscas físicas, as investigações da Polícia Civil não foram encerradas. "As buscas fisicamente no local não estão acontecendo agora, mas o caso continua aberto para a Polícia Civil. As investigações, denúncias e informações continuam em aberto", afirma. Caso surja um indício concreto, as buscas devem ser retomadas.
Chance de encontrar sobreviventes é remota
O delegado reconhece que, com o passar do tempo, as chances de encontrar sobreviventes diminuem significativamente. "Quanto mais o tempo passa, a chance de encontrar a pessoa com vida fica mais remota", comenta. A principal hipótese é de que os corpos tenham sido encobertos pelas mudanças no terreno provocadas pela força da enchente. Ainda assim, a polícia não desistirá enquanto os casos não forem esclarecidos.
Por que os desaparecidos não são declarados mortos?
A ausência de corpos e de registros materiais concretos mantém a situação dessas vítimas indefinida do ponto de vista legal. Segundo o delegado Mário Souza, não é possível declarar a morte sem provas materiais que confirmem o óbito. "Não podemos declarar que a pessoa morreu porque não temos provas cabais. Existem grandes possibilidades, mas não cabe à área criminal fazer isso", explica. Ele destaca que já houve casos de pessoas desaparecidas que foram localizadas posteriormente, como em agosto de 2025, quando a Defesa Civil confirmou a identificação de uma vítima após mais de um ano.
Lista dos desaparecidos e o sigilo de dados
A reportagem solicitou à Defesa Civil e à Secretaria de Segurança Pública mais detalhes sobre os desaparecidos, incluindo nomes e cidades. Ambas as entidades informaram que esses dados estão protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). A lista completa dos desaparecidos inclui nomes como William da Silva Ramos (Agudo), Carine Milani (Bento Gonçalves), Doceliria Lourenço da Silva (Caxias do Sul), entre outros.
O que dizem as famílias
As histórias das famílias que ainda aguardam respostas são marcadas pela dor e pela esperança. Muitas delas continuam cobrando das autoridades uma solução para os casos de seus entes queridos.



