Aluna de medicina da UFPR descobre plano de estupro coletivo em grupo de WhatsApp
Aluna da UFPR descobre plano de estupro em grupo de WhatsApp

Uma aluna do curso de medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR) recebeu uma mensagem alarmante de um número desconhecido no WhatsApp, identificado apenas como 'Ghost', sem foto de perfil. O contato anônimo a advertiu: 'Guria, fica esperta. Tem gente armando pra você!'. Em seguida, foram enviados prints de visualização única, que revelavam a existência de um grupo na mesma plataforma onde homens supostamente conspiravam para estuprar a jovem. De acordo com as conversas, havia uma premiação de até R$ 400 para quem concluísse o crime primeiro.

Detalhes da ameaça

Nas mensagens, os indivíduos demonstravam conhecimento sobre a rotina da estudante e mencionavam tentativas anteriores de encurralá-la para uma violência sexual em grupo. O material, agora sob investigação da Polícia Civil, foi fornecido pela própria vítima à reportagem. A estudante não seria o único alvo; os prints indicavam um esquema maior, com a frase: 'Galera não tá brincando, faltam algumas minas de MED [medicina]'.

Reação da universidade

A história ganhou repercussão na UFPR após o diretório acadêmico do curso divulgar um aviso aos estudantes no fim da semana passada, pedindo cuidado: 'Não andem sozinhas e evitem sair à noite'. O caso foi encaminhado à corregedoria da instituição, e a polícia foi acionada. A UFPR informou que tomou conhecimento das mensagens e adotou medidas imediatas de acolhimento e orientação às envolvidas, além de acionar os setores de segurança e acompanhamento da comunidade universitária. Uma investigação preliminar foi instaurada para apurar responsabilidades.

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Declarações oficiais

Em nota, a gestão da UFPR afirmou: 'Infelizmente, tais acontecimentos refletem o status atual da sociedade, marcado por um alarmante número de casos de violência contra as mulheres. A UFPR possui instâncias adequadas para acolhimento, apuração e prevenção'. O assessor jurídico Rodrigo Kanayama explicou que o foco da corregedoria é identificar os envolvidos e verificar se são alunos da instituição para eventuais punições.

Investigação policial

A Polícia Civil enfrenta dificuldades: os números usados pelos membros do grupo eram provisórios e foram quase todos apagados. As buscas continuam, mas o avanço é limitado.

Clima de medo entre alunas

No escuro, sem informações e assustadas, as estudantes da UFPR descrevem seu sentimento após a denúncia. Alunas de diversos cursos em Curitiba têm se organizado em grupos para locomoção no campus, e muitas temem ir às aulas. A Polícia Militar foi oficiada para aumentar a segurança no campus, e a UFPR estuda medidas adicionais de proteção.

Contexto nacional

Como mostrado pela Folha de S.Paulo, universidades federais, estaduais e institutos federais passarão por uma reestruturação para punir violência contra a mulher com mais agilidade e acolher vítimas, conforme protocolo articulado pelo governo Lula. As ações incluem inclusão do tema nos currículos, fortalecimento de ouvidorias e assessorias jurídicas, com prazo de até dois anos para implementação e vigência de cinco anos.

Justiça em caso similar

Em um caso relacionado, a Justiça condenou um adolescente por armar um estupro coletivo contra uma adolescente, com medida de internação sem possibilidade de atividades externas por seis meses. A juíza destacou 'a gravidade da infração e a falha da rede familiar em prover limites adequados'. Mais quatro homens adultos são investigados pela participação no crime.

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