O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã nesta quarta-feira (29), manifestando insatisfação com a última oferta de paz apresentada pelo país persa. Em uma publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que “chega de bancar o bonzinho” e compartilhou uma montagem que o mostra de óculos escuros segurando um fuzil, com explosões em uma zona de guerra ao fundo. A imagem, acompanhada da legenda “chega de bancar o bonzinho”, reforça o tom beligerante do presidente americano.
Negociações estagnadas e nova ameaça
A publicação refere-se às negociações entre Washington e Teerã, que têm sido intermediadas pelo Paquistão, na tentativa de encerrar o conflito no Oriente Médio. As tratativas, no entanto, encontram-se estagnadas, com ambos os lados rejeitando as propostas do outro e divergindo sobre a realização de negociações presenciais. Trump declarou: “O Irã não consegue se organizar. Eles não sabem como assinar um acordo não nuclear. É melhor ficarem espertos logo!”.
Paralelamente, EUA e Irã vivem um período de cessar-fogo, mas sua continuidade é incerta. Além da publicação de Trump, a agência Reuters revelou na terça-feira (28) que os EUA estão avaliando a retomada de bombardeios contra alvos militares e políticos do Irã. O governo Trump também estuda possíveis reações iranianas a uma eventual declaração de vitória americana na guerra.
Pressão interna e rearmamento iraniano
Segundo a Reuters, as opções militares continuam em análise, enquanto um funcionário da Casa Branca descreveu como “enorme” a pressão interna para encerrar o conflito. Fontes indicam que o Irã tem aproveitado o cessar-fogo para recuperar lançadores, munições, drones e outros equipamentos que haviam sido enterrados após bombardeios americanos e israelenses nas primeiras semanas da guerra.
Análise de cenários de vitória
Agências de inteligência dos EUA estão avaliando como o Irã reagiria caso Trump declare vitória na guerra, de acordo com três fontes ouvidas pela Reuters. O estudo foi solicitado por integrantes do alto escalão do governo para analisar as consequências de um possível afastamento americano do conflito. Há o temor de que a guerra cause grandes perdas para o partido de Trump nas eleições legislativas deste ano. Uma desescalada rápida poderia aliviar a pressão política sobre o presidente, mas autoridades acreditam que isso fortaleceria o Irã, permitindo a retomada dos programas nuclear e de mísseis no futuro. Aliados regionais também poderiam enfrentar novas ameaças.
Nenhuma decisão foi tomada até o momento, e não há prazo para a conclusão da análise. Trump ainda pode ampliar as operações militares. Recentemente, as agências de inteligência já avaliaram possíveis reações da liderança iraniana a uma declaração americana de vitória. Após o início da ofensiva, em 28 de fevereiro, analistas concluíram que, se Trump declarasse vitória e reduzisse a presença militar, o Irã provavelmente interpretaria a medida como um triunfo próprio. Por outro lado, se os EUA declarassem vitória e mantivessem forte presença militar, o Irã poderia ver o gesto como uma estratégia de negociação, mas não necessariamente como o fim da guerra.
A diretora de assuntos públicos da CIA, Liz Lyons, afirmou que a agência não tem informações sobre a avaliação mencionada. A CIA não respondeu a perguntas específicas da Reuters sobre trabalhos atuais relacionados ao Irã. O Escritório do Diretor de Inteligência Nacional se recusou a comentar. A porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, afirmou que os EUA continuam negociando com o Irã e não serão pressionados a aceitar um acordo ruim, e que o presidente só aceitará termos que priorizem a segurança nacional e garantam que o Irã não terá armas nucleares.
Custos políticos e econômicos elevados
Pesquisas de opinião mostram forte rejeição à guerra entre os americanos. Levantamento Reuters/Ipsos divulgado na semana passada apontou que apenas 26% dos entrevistados consideram que a campanha militar valeu o custo, enquanto 25% disseram que ela tornou os EUA mais seguros. Pessoas familiarizadas com discussões recentes na Casa Branca afirmam que Trump está atento ao impacto político do conflito para ele e para o Partido Republicano.
Vinte dias após o presidente anunciar um cessar-fogo, esforços diplomáticos ainda não conseguiram reabrir totalmente o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo. O Irã bloqueou parcialmente a passagem ao atacar embarcações e instalar minas na região. Cerca de 20% do petróleo mundial passa pelo local. A interrupção do fluxo elevou os custos de energia no mundo e os preços da gasolina nos Estados Unidos, aumentando a pressão econômica sobre o governo americano. Uma redução da presença militar dos EUA combinada à suspensão do bloqueio poderia reduzir os preços dos combustíveis no futuro, mas até agora os dois lados seguem distantes de um acordo.
No fim de semana, Trump cancelou uma viagem do enviado especial Steve Witkoff e do genro Jared Kushner ao Paquistão para reuniões com autoridades iranianas. O presidente disse que o encontro levaria “tempo demais” e que bastaria o Irã entrar em contato se quisesse negociar.



