Uma cirurgia inovadora, capaz de tratar diversos tipos de câncer, foi realizada com sucesso no Hospital de Clínicas de Ijuí (HCI), localizado na Região Noroeste do Rio Grande do Sul. A instituição tornou-se a primeira do interior do estado a receber autorização do Sistema Único de Saúde (SUS) para realizar o procedimento conhecido como Quimioterapia Intraperitoneal Hipertérmica (HIPEC).
Pioneirismo no tratamento oncológico
A primeira paciente submetida à técnica foi Zenaide Ew, de 55 anos, que percorreu 460 quilômetros desde Taquara, na Região Metropolitana de Porto Alegre, até Ijuí. Ela enfrenta um câncer raro, originado no apêndice e que se disseminou pelo abdômen. Até o início de março, apenas a Santa Casa de Porto Alegre estava habilitada a realizar essa cirurgia no estado.
De acordo com a secretária estadual de Saúde, Arita Bergmann, a habilitação do HCI representa um avanço na descentralização dos serviços de alta complexidade. “Com isso, pacientes da região poderão receber o tratamento mais perto de casa, reforçando a interiorização da saúde”, afirmou.
Como funciona a HIPEC
O cirurgião oncológico Lucas Zanini, do HCI, explicou que o procedimento inicia com a remoção do tumor visível. Em seguida, uma quimioterapia aquecida entre 41°C e 43°C é aplicada diretamente na cavidade abdominal. “Para certos tipos de tumor, como os de apêndice, ovário ou peritônio, essa técnica pode ser mais eficaz que a quimioterapia endovenosa”, destacou o médico.
A cirurgia, considerada de alta complexidade, durou mais de sete horas e foi realizada por uma equipe multidisciplinar.
Depoimento da paciente
Zenaide admitiu ter sentido medo ao saber que seria a primeira a passar pelo procedimento, mas não hesitou. “Eu sabia que era a única chance que eu teria. Precisava fazer a cirurgia o mais rápido possível para evitar que a doença avançasse”, relatou. A operação foi bem-sucedida e, após 25 dias de internação, ela recebeu alta na semana passada. “Estou me recuperando em casa, me sinto muito melhor e já estou feliz”, comemorou.
Para o oncologista Lucas Zanini, o sucesso do caso comprova a qualidade da medicina praticada fora dos grandes centros. “Ijuí possui uma estrutura consolidada, com excelentes profissionais e tecnologia de ponta”, concluiu.



