História Inusitada: Catarinense Nasceu na Ponte Hercílio Luz Há 62 Anos em Florianópolis
Catarinense Nasceu na Ponte Hercílio Luz Há 62 Anos

História Inusitada: Catarinense Nasceu na Ponte Hercílio Luz Há 62 Anos em Florianópolis

O florianopolitano Gilbertto Davi possui uma conexão extraordinária com a icônica Ponte Hercílio Luz, cartão-postal de Santa Catarina que completará um século de existência em 13 de maio. A estrutura histórica, símbolo máximo da capital catarinense, foi o improvável palco do nascimento dele há exatos 62 anos, em 3 de setembro de 1963, em um episódio repleto de circunstâncias incomuns.

O Parto Emergencial no Segundo Vão da Ponte

O nascimento de Gilbertto ocorreu precisamente no segundo vão da ponte, durante uma situação de emergência que mobilizou familiares e vizinhos. "Meu pai estava em casa com a minha mãe, ela estava prestes a me ganhar. Ele saiu e falou: 'Ó, vou apitar uma partida de futebol'. Ele era juiz de várzea. Ela falou: 'Não vai porque o neném é para hoje'", recorda Gilbertto sobre os momentos que antecederam o parto.

Assim que o pai saiu, a mãe entrou em trabalho de parto de forma acelerada. Um vizinho imediatamente chamou a ambulância, que rapidamente chegou ao local. "Pegaram a minha mãe, passaram ainda no campo de futebol para buscar o meu pai, porque ela exigiu que ele tivesse junto. O enfermeiro bateu no vidro da ambulância e falou: 'Para o carro porque a moça está tendo neném'", narra Gilbertto com detalhes vívidos.

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O parto foi realizado com sucesso dentro da própria ambulância, ainda sobre a estrutura da ponte. Gilbertto expressa um sentimento profundo sobre essa experiência única: "Muito orgulho", afirma sobre sua ligação especial com o monumento centenário.

Outra História Similar na Mesma Ponte

Três anos antes do nascimento de Gilbertto, em 18 de dezembro de 1960, Mafalda Pereira Böeing, hoje com 90 anos, também vivenciou uma situação similar na Ponte Hercílio Luz. Ela começou o trabalho de parto enquanto atravessava a estrutura, que na época era a única ligação entre o Continente e a Ilha de Santa Catarina.

Para chegar à Maternidade Carmela Dutra, onde nasceria sua segunda filha Cláudia, Mafalda contou com a ajuda de um vizinho taxista. "O motorista ficou nervoso. Disse 'dona, por favor, segura essa criança, não deixa nascer, porque ontem eu já lavei o meu carro todinho'", brinca Mafalda ao relembrar o episódio bem-humorado.

Cláudia cresceu ouvindo essas histórias sobre seu próprio nascimento e desenvolveu uma relação afetiva com tudo que a ponte representa. "Quando era pequena, eu adorava ter aula. Não pela aula, mas porque o pai, para trazer a gente para a escola, tinha que passar de Fusca [pela ponte] cheio de piá [crianças]", ri ao recordar as memórias de infância.

A Ponte Como Testemunha de Histórias de Vida

A Ponte Hercílio Luz, que completará 100 anos em maio, não é apenas uma obra de engenharia impressionante ou um símbolo turístico. Para famílias como a de Gilbertto Davi e Mafalda Böeing, a estrutura representa parte integrante de suas histórias pessoais, testemunhando momentos fundamentais como o nascimento.

Essas narrativas humanas se entrelaçam com a história arquitetônica da ponte, criando um rico mosaico de memórias que transcendem sua função original de ligação física. Ambas as histórias ilustram como monumentos urbanos podem adquirir significados profundamente pessoais para os cidadãos que com eles convivem.

As circunstâncias incomuns desses nascimentos - envolvendo ambulâncias, desvios para campos de futebol, taxistas preocupados com a limpeza do veículo - acrescentam camadas de humanidade e humor à grandiosidade da ponte, transformando-a de mera estrutura de concreto em palco de dramas familiares que permanecem vivos na memória coletiva de Florianópolis.

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