Greve na Argentina cancela voos no Brasil e afeta passageiros em Guarulhos
Greve na Argentina cancela voos no Brasil em Guarulhos

Greve na Argentina provoca cancelamento de voos no Brasil e impacta passageiros em Guarulhos

A greve geral de trabalhadores anunciada na Argentina, em protesto contra a reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei, está causando transtornos significativos no Brasil. Nesta quinta-feira (19), voos com destino à Argentina foram cancelados no Aeroporto Internacional de São Paulo, localizado em Guarulhos, na Grande São Paulo. A paralisação, organizada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), afetou serviços de rampa em aeroportos argentinos, obrigando companhias aéreas a ajustarem suas operações.

Companhias aéreas confirmam alterações e cancelamentos

Pelo menos dois voos da Latam, programados para o início da manhã desta quinta-feira com destino a Buenos Aires, não decolaram conforme o planejado. O Grupo Latam emitiu uma nota informando que precisou modificar sua operação de e para a Argentina devido à greve geral, destacando a adesão dos sindicatos da Intercargo, empresa responsável pelos serviços de rampa em todos os aeroportos do país vizinho.

A Gol também confirmou impactos em sua operação, com cancelamentos de voos de e para cidades como Buenos Aires, Córdoba, Mendoza e Rosário. As companhias não divulgaram o número total de voos afetados, mas a Latam ressaltou que alguns voos podem operar com alterações de horário ou data, sem necessariamente serem cancelados.

Recomendações para passageiros e medidas das empresas

A orientação para os passageiros é verificar o status de seus voos antes de se dirigir ao aeroporto. Quem tiver voos da Latam cancelados ou reprogramados pode alterá-los sem custo para uma nova data ou solicitar o reembolso integral. A situação exige atenção, pois a greve pode se estender e causar mais interrupções nos próximos dias.

Contexto da greve e reforma trabalhista na Argentina

A greve geral está diretamente ligada à discussão na Câmara dos Deputados da Argentina sobre o projeto de reforma trabalhista enviado pelo governo Milei. O Senado já aprovou o texto na semana passada, e a CGT iniciou a paralisação às 0h desta quinta-feira, conforme relatado pela agência Associated Press. O governo espera que a proposta seja votada no plenário da Câmara em 25 de fevereiro e aprovada até 1º de março.

Além da greve, são esperados protestos, embora não oficialmente endossados pela CGT. Em resposta, o governo Milei emitiu medidas de segurança para a imprensa, alertando sobre possíveis situações de risco durante as manifestações. Na quarta-feira passada, milhares de pessoas protestaram perto do Congresso, resultando em confrontos com a polícia e cerca de trinta detidos.

Principais pontos da reforma trabalhista argentina

A reforma é considerada uma das maiores mudanças na legislação trabalhista argentina em décadas, revisando regras que remontam aos anos 1970. Especialistas destacam que o projeto é amplo e faz parte de um pacote maior de mudanças estruturais para estabilização macroeconômica e estímulo ao emprego. Entre as principais alterações estão:

  • Férias flexíveis, que podem ser fracionadas em períodos mínimos de sete dias e negociadas fora do período tradicional.
  • Restrições a greves em setores essenciais, exigindo um mínimo de prestação de serviço entre 50% e 75%.
  • Ampliação do período de experiência para até seis meses, com possibilidade de extensão em alguns casos.
  • Flexibilização da jornada de trabalho, permitindo até 12 horas diárias com compensação conforme demanda.
  • Mudanças na negociação coletiva, favorecendo acordos diretos entre empresas e sindicatos locais.
  • Alterações em indenizações e demissões, com redução no cálculo e possibilidade de pagamento parcelado.
  • Limites em licenças médicas e acidentes de trabalho para lesões ocorridas fora do ambiente laboral.
  • Combate à informalidade, com eliminação de multas por falta de registro e criação de mecanismos de regularização.

A reforma não se aplica a servidores públicos, exceto nas regras sobre greve em serviços essenciais, que incluem áreas como saúde, transporte e segurança. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina, o país tinha 13,6 milhões de pessoas ocupadas e uma taxa de desocupação de 6,6% no terceiro trimestre de 2025.

Os impactos da greve na Argentina continuam a ser monitorados, com possíveis efeitos prolongados nas operações aéreas e na mobilidade entre os dois países. Passageiros devem ficar atentos a atualizações das companhias aéreas e planejar suas viagens com antecedência para evitar inconvenientes.