Motoristas de aplicativo protestam contra regulamentação de transporte por moto em Rio Branco
Protesto de motociclistas contra PL que regulamenta transporte em Rio Branco

Motociclistas de aplicativo protestam contra projeto de lei em Rio Branco

Um protesto organizado por motociclistas que atuam como motoristas de aplicativo mobilizou a manhã desta terça-feira (17) em frente à Câmara dos Vereadores de Rio Branco, capital do Acre. A manifestação tem como alvo o Projeto de Lei nº 177 de 2025, que regulamenta o serviço de transporte individual privado de passageiros por moto na cidade acreana.

Organização e rejeição da categoria

A mobilização foi coordenada pela União dos Motoristas de Aplicativos do Acre (Unimac), que reúne trabalhadores do setor. O texto legislativo, aprovado na última quarta-feira (11) e de autoria dos vereadores Fábio Araújo (MDB) e Leôncio Castro (PSDB), estabelece uma série de regras para o funcionamento da atividade, com exigências específicas para condutores, motocicletas e plataformas digitais.

Durante o protesto, os manifestantes demonstraram insatisfação generalizada com a medida e cobraram diálogo direto com os parlamentares, especialmente com o vereador Leôncio Castro, apontado pela categoria como um dos principais responsáveis pela aprovação do projeto.

Posicionamento da associação e ameaça judicial

O presidente da Unimac, Paulo Farias, afirmou que há rejeição total à proposta entre os trabalhadores. "Esse descontentamento é completo. Não desagradou somente a Unimac, desagradou a todos os colegas que se uniram contra essa lei totalmente inconstitucional. Estamos unidos por uma só causa. Essa lei é inconstitucional", declarou Farias.

Ele acrescentou que a categoria pretende recorrer à Justiça caso a lei seja promulgada. "Se essa lei for promulgada, a gente vai entrar com uma ação. Já estamos debaixo de uma ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF)", revelou o líder da associação.

Críticas dos trabalhadores e defesa do vereador

O motociclista de aplicativo Luan Gondim, que participou ativamente do protesto, destacou que a principal crítica é a falta de participação da categoria na construção da proposta legislativa. "A gente não vê nenhum tipo de benefício. Só tem taxa e imposto. Isso vai afetar a gente cada vez mais. Eu só trabalho com isso, é minha renda, então a gente se une para tentar derrubar essa portaria", explicou Gondim.

Por outro lado, o vereador Leôncio Castro defendeu a proposta e afirmou que sempre esteve aberto ao diálogo com os trabalhadores. "Meu gabinete nunca teve porta, sempre estivemos à disposição de vocês. Quando construímos esse projeto, tudo foi baseado na legislação federal. Essa lei só traz benefícios. Tudo pode ser mudado, estamos aqui para conversar", declarou o parlamentar.

O que estabelece o projeto de lei

O PL aprovado estabelece diversas exigências para a atividade de transporte por aplicativo em Rio Branco:

  • Os motoristas deverão fazer curso especializado conforme normas do Conselho Nacional de Trânsito (Contran)
  • Necessidade de obter credenciais emitidas pelo órgão municipal competente, com renovação anual
  • As motocicletas utilizadas deverão estar registradas, licenciadas e emplacadas em Rio Branco
  • Veículos com no máximo oito anos de fabricação serão permitidos
  • Cumprimento obrigatório de normas de segurança, incluindo uso de capacete, colete e faixas refletivas
  • Condutor deve fornecer equipamentos de segurança ao passageiro sem custo adicional

A proposta também define regras específicas para as empresas de aplicativo, que precisarão de autorização da prefeitura para operar na cidade. As plataformas deverão oferecer seguro de acidentes pessoais para passageiros e motoristas, além de garantir que apenas condutores e veículos regularizados estejam devidamente cadastrados em seus sistemas.

A tensão entre os motociclistas e os legisladores municipais continua, com a categoria ameaçando medidas judiciais caso o projeto seja transformado em lei, enquanto os vereadores mantêm a defesa da regulamentação como necessária para organizar o setor de transporte na capital acreana.