Atendimentos por LER e Dort crescem 27% na Região Metropolitana de Campinas
LER e Dort aumentam 27% na RMC, com 725 mil casos em 2025

Atendimentos por LER e Dort crescem 27% na Região Metropolitana de Campinas

O Departamento Regional de Saúde (DRS) de Campinas, no interior de São Paulo, registrou um aumento significativo de 26,8% nos atendimentos por Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (Dort) entre os anos de 2023 e 2025. Essas síndromes clínicas afetam músculos, tendões, articulações e nervos, sendo frequentemente associadas a atividades laborais repetitivas, posturas inadequadas, condições precárias de trabalho e jornadas prolongadas.

Números alarmantes na região

De acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, o DRS de Campinas, que atende 42 cidades da região, contabilizou 571 mil atendimentos por LER e Dort em 2023. Dois anos depois, em 2025, esse número saltou para 725 mil casos, evidenciando uma tendência preocupante de crescimento. O médico ortopedista José Luís Abreu destaca que essas condições são uma das principais causas de afastamento do trabalho no Brasil, especialmente relacionadas a dores na coluna, como cervicalgia e lombalgia, muitas vezes agravadas por hérnias de disco ou processos inflamatórios.

"A maior causa de afastamento hoje, no Brasil, a gente sabe que são as dores na coluna, seja cervical, seja lombar, às vezes por uma hérnia de disco, por um problema de uma inflamação. Mas, quando você vai ver a relação disso com o trabalho, é bem frequente. Dores que vêm com o trabalho, por exemplo, posições ruins, pesos repetidos [...] Então, quando você consegue encaixar isso tudo, você fala em LER e Dort", explica Abreu.

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O que são LER e Dort?

Conforme definido pelo Ministério da Saúde, LER e Dort são síndromes que podem ser causadas, mantidas ou agravadas pelas condições de trabalho, impactando diversas categorias profissionais. Essas lesões provocam sintomas como dor, formigamento, fraqueza muscular e até incapacidade para realizar tarefas cotidianas, comprometendo diretamente a saúde e a qualidade de vida dos trabalhadores. A prevenção envolve a criação de ambientes de trabalho mais ergonômicos, a implementação de pausas regulares durante a jornada e o acompanhamento médico adequado.

Os principais fatores de risco incluem:

  • Movimentos repetitivos sem intervalos adequados
  • Posturas inadequadas ou estáticas prolongadas
  • Mobiliário não ergonômico
  • Exposição a vibrações, ruídos excessivos e temperaturas extremas
  • Carga e ritmo de trabalho acelerados
  • Pressão por metas e horas extras em excesso
  • Sobrecarga de peso e exigências cognitivas intensas

Profissões mais afetadas e casos reais

Segundo o Ministério da Saúde, os casos mais notificados entre 2006 e 2022 ocorreram entre trabalhadores domésticos, alimentadores de linha de produção e operadores de máquinas a vapor. Outras profissões comumente relacionadas a LER e Dort são teleatendentes, digitadores, costureiros, operadores de caixa, cozinheiros, trabalhadores da limpeza, auxiliares de odontologia, cortadores de cana, bancários, pedreiros e eletricistas.

Meire Cristina Lima, técnica de enfermagem com 15 anos de experiência, relata que suas dores começaram leves, mas evoluíram para condições graves como hérnia cervical, tendinite nos braços, bursite, epicondilite e hérnia de disco lombar. "[O médico] falava que eu tinha que me ajudar também, que eu teria que me cuidar, porque eu estava fazendo fisioterapia, mas eu continuava fazendo os mesmos movimentos. Então, ele falou assim: 'você tem que se ajudar'. Eu faço fisioterapia para todas essas regiões e tomo as medicações", conta Meire, que foi afastada do trabalho por tempo indeterminado.

Sileda Costa, manicure há mais de 35 anos, sofre com tendinite que se espalhou para mãos, pés, cotovelos, lombar e cervical devido a movimentos repetitivos. "Tudo relacionado ao meu trabalho [...] Tudo me dói. Dói meu tornozelo, dói minhas pernas. Aqui [em casa] eu tenho escada e não consigo subir. Para lavar uma louça agora, eu lavo com dificuldade por causa das costas. É horrível, eu sinto dor 24 horas por dia", desabafa Sileda, que já passou por cirurgia para tratar os problemas.

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Como prevenir essas lesões?

O ortopedista José Luís Abreu enfatiza que mudanças de hábitos e medidas simples podem reduzir significativamente os riscos de LER e Dort. Entre as recomendações estão:

  1. Fazer pequenos alongamentos durante a jornada de trabalho
  2. Manter o monitor na altura dos olhos para evitar tensão cervical
  3. Adotar postura correta e apoiar adequadamente cotovelos e pés
  4. Realizar pausas de 5 a 10 minutos a cada hora de atividade
  5. Evitar o uso excessivo de celulares e outros dispositivos eletrônicos

"A ginástica laboral tem um espaço muito importante, mas de maneira simples. A gente tem que se alongar, a gente tem que dormir, a gente tem que se preparar fisicamente e emocionalmente para os nossos desafios. E o trabalho é um desafio do dia a dia", conclui o especialista, reforçando a necessidade de atenção contínua à saúde ocupacional.