Operação resgata 175 trabalhadores em condições análogas à escravidão na Paraíba
Fiscalização resgata 175 trabalhadores em condições de escravidão na PB

Fiscalização do Ministério do Trabalho resgata 175 trabalhadores em condições degradantes na Paraíba

Uma operação de grande porte conduzida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resultou no resgate de 175 trabalhadores que estavam submetidos a condições análogas à escravidão em canteiros de obras da construção civil na capital paraibana e em municípios da região metropolitana. A ação, que teve início no dia 25 de fevereiro, foi finalizada nesta quarta-feira, 11 de março, após intensa fiscalização em dez empreendimentos distintos.

Detalhes da operação e regularização trabalhista

A operação foi executada por Auditores-Fiscais do Trabalho integrantes do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), sob coordenação da Secretaria de Inspeção do Trabalho do MTE. De acordo com as autoridades, esta se configura como uma das maiores ações de combate ao trabalho escravo já realizadas no estado da Paraíba, com abrangência significativa em obras residenciais de alto padrão e imóveis localizados no litoral.

Todos os empregadores identificados durante a fiscalização receberam notificações para regularizar imediatamente os vínculos trabalhistas com seus funcionários. As determinações incluíam a quitação integral das verbas rescisórias devidas e o recolhimento correto do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Ao término da operação, as obrigações foram cumpridas, resultando no pagamento total de aproximadamente R$ 1 milhão em valores rescisórios e contribuições ao FGTS, efetuados durante o próprio desenrolar da ação fiscalizatória.

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Acordos e direitos assegurados aos trabalhadores

Em um dos casos mais emblemáticos, foi firmado um Termo de Ajuste de Conduta com uma das empresas autuadas, através de articulação conjunta entre o Ministério Público do Trabalho e a Defensoria Pública da União. Este acordo legal estabelece o pagamento de indenização por danos morais individuais para cada um dos trabalhadores resgatados durante a operação.

Além das compensações financeiras, os 175 trabalhadores terão direito a receber três parcelas do seguro-desemprego especial, um benefício destinado especificamente a vítimas de condições laborais degradantes. Eles também foram encaminhados para os órgãos municipais de assistência social, onde receberão atendimento prioritário e suporte psicossocial para facilitar a reintegração à sociedade.

Condições precárias encontradas nas obras fiscalizadas

Os auditores-fiscais relataram situações extremamente preocupantes nos locais de trabalho inspecionados. Muitos trabalhadores estavam alojados em espaços improvisados e inadequados, com dormitórios superlotados e completamente desprovidos de infraestrutura básica. Em diversas obras, foram constatadas as seguintes irregularidades:

  • Ausência total de instalações sanitárias em condições mínimas de uso;
  • Falta de acesso regular à água potável para os trabalhadores;
  • Deficiências graves no fornecimento de alimentação adequada;
  • Cozinhas em estado precário e instalações elétricas improvisadas nos alojamentos, representando riscos de incêndio e acidentes.

Nos canteiros de obras, a fiscalização identificou ainda a falta completa de proteção contra quedas de altura, poços de elevador sem qualquer tipo de isolamento de segurança, andaimes montados de forma irregular e equipamentos pesados operando sem os dispositivos de segurança obrigatórios. Diante dos graves riscos à integridade física dos trabalhadores, os auditores lavraram termos de embargo e interdição, determinando a paralisação total das atividades em obras específicas até que todas as irregularidades fossem sanadas.

Esta operação reforça a importância da atuação contínua dos órgãos fiscalizadores no combate ao trabalho análogo à escravidão, uma chaga social que ainda persiste em diversos setores da economia brasileira, exigindo vigilância constante e punições severas para os infratores.

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