Navio porta-contêineres colide com balsas no Porto de Santos e tripulantes saltam ao mar
Navio bate em balsas no Porto de Santos; tripulantes pulam no mar (19.02.2026)

Navio porta-contêineres colide com balsas no Porto de Santos e tripulantes saltam ao mar

Um acidente marítimo de grande proporção ocorreu no canal do Porto de Santos, no litoral de São Paulo, na noite de segunda-feira (16), quando um navio porta-contêineres colidiu com duas balsas, levando quatro tripulantes a saltarem no mar instantes antes do impacto. Felizmente, ninguém ficou ferido no incidente, que está sendo investigado pela Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP).

Inquérito aberto para investigar causas do acidente

A Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) abriu um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN) na terça-feira (17) para apurar as causas da colisão e identificar possíveis responsáveis. De acordo com o capitão de mar e guerra Leandro Gomes Mendes, questões testemunhais, periciais e documentais estão sendo minuciosamente checadas para entender exatamente o que ocasionou o acidente.

O navio porta-contêineres atingiu as balsas FB-15 e FB-14 quando deixava o canal em direção à área de fundeio, devido à falta de espaço para atracação. As imagens do momento foram registradas por Edna Basílio, que voltava para Santos após um passeio no Guarujá. No vídeo, é possível ver as balsas sem veículos ou passageiros, e os tripulantes que saltaram na água estavam na FB-15, que rebocava a FB-14, esta última fora de operação.

Pontos a serem esclarecidos no inquérito

Durante entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo, o capitão Mendes citou os principais pontos que devem ser esclarecidos pelo inquérito, incluindo:

  • Se o navio e as balsas estavam aptos para navegação
  • Se todos os regulamentos nacionais e internacionais foram cumpridos
  • Se houve falha por parte dos envolvidos
  • Quais eram as velocidades das embarcações
  • Se ocorreram comunicações via rádio e se foram devidamente documentadas
  • Se houve autorização por escrito ou conversa prévia sobre as movimentações do navio

Mendes destacou que, embora as Normas e Procedimentos das Capitanias dos Portos (NPCP) estabeleçam prioridade para navios maiores com manobra restrita, muitas questões precisam ser apuradas antes de conclusões definitivas. "Tem muitas coisas para serem apuradas que não podem se resumir a isso [prioridade de navegação]. É nesse ponto que eu realmente bato a minha tecla aqui: nós temos que esperar o resultado do IAFN para poder tomar alguma conclusão", afirmou o capitão.

Questão da atracação e responsabilidades

Além das causas do acidente, o capitão mencionou a questão da liberação do navio sem espaço adequado para atracação, o que deve ser verificado para melhorias de gestão e práticas futuras. Ele ressaltou que este fato não tem relação direta com o acidente, pois navios entram e saem constantemente do cais santista.

A autorização para atracação é feita pela Autoridade Portuária de Santos (APS), que, por sua vez, afirmou que a verificação de vaga em terminais privados é de competência do próprio terminal. A empresa deve informar disponibilidade de equipamentos e metragem suficiente, com margem de segurança. A APS participa apenas na análise documental via sistema Porto Sem Papel (PSP), avaliando anuências de autoridades como Anvisa, Polícia Federal e Capitania dos Portos.

A DP World, responsável pelo terminal, não se pronunciou sobre o caso. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), a FB-15 rebocava a FB-14 em direção ao Guarujá quando ocorreu o impacto, com o comandante e três marinheiros a bordo, todos ilesos.

Resgate seguro dos tripulantes

A Semil, por meio da Coordenadoria de Travessias, informou que os tripulantes pularam no mar e nadaram até a margem em segurança. Nas imagens, é possível vê-los nadando até o cais, onde pessoas em terra ajudaram orientando, jogando boias e coletes, puxando os profissionais da água e até se lançando ao mar para auxiliá-los.

A Praticagem, responsável pelo apoio à navegação, enviou lanchas ao local, e os tripulantes foram retirados da água sem ferimentos. O acidente serve como alerta para a importância de protocolos de segurança e comunicação eficiente no movimentado Porto de Santos, um dos maiores da América Latina.