A partir do próximo sábado, 6 de janeiro, os usuários do transporte metropolitano na Grande São Paulo sentirão um impacto direto no bolso. A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), vinculada ao governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), autorizou um reajuste nas tarifas dos ônibus operados pela antiga EMTU.
Detalhes do aumento autorizado pela Artesp
A autorização foi publicada no Diário Oficial do Estado em 30 de dezembro, por meio da Resolução nº 21. O aumento médio ficou estabelecido em 4,24%, afetando as linhas que conectam a capital paulista aos municípios da região metropolitana.
Os novos valores variam conforme o tipo de linha e a distância percorrida. Para as linhas comuns, as passagens passam a custar entre R$ 4,15 e R$ 12. Já nas linhas seletivas, a tarifa varia de R$ 9 a R$ 30,65. As linhas especiais, como as que ligam Osasco e Cotia à capital, terão valores entre R$ 7,70 e R$ 8,75.
Alguns exemplos práticos do impacto incluem a linha 297, que liga São Paulo a Caucaia do Alto, em Cotia. A passagem sobe de R$ 9,20 para R$ 9,65. Na linha 422, com destino a Itapevi, o valor passará a ser de R$ 8,90.
Reclamações dos usuários e problemas estruturais
O anúncio do reajuste pegou muitos passageiros de surpresa nos terminais, gerando uma onda de insatisfação. As queixas, no entanto, vão além do valor da tarifa. Usuários destacam problemas crônicos como superlotação, atrasos frequentes, frota envelhecida e intervalos longos entre um ônibus e outro.
"É um absurdo pagar uma passagem no valor que a gente paga pra vir numa situação dessa", desabafou a cozinheira Valquíria Leite. A coordenadora de RH Eliana Fernandes, encontrada no terminal do Metrô São Paulo–Morumbi, ironizou a timing do aumento: "Vai aumentar terça-feira… Pois é, né? Bem-vindo, ano novo, feliz ano novo. Tem que ser com aumento, se não, não vale, né?".
Marco Antônio da Silva, oficial de manutenção que utiliza uma das linhas mais caras, complementa: "Esse aqui é uma das passagens mais pesadas que tem. É difícil acesso pra gente que mora em Caucaia e são poucas unidades".
Frota envelhecida e licitação parada
Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação revelam a dimensão dos desafios estruturais. Atualmente, 3.632 ônibus metropolitanos atendem a Grande São Paulo. Desse total:
- 1.399 veículos não possuem ar-condicionado.
- 888 ônibus têm mais de 10 anos de uso.
- Apenas 100 veículos – menos de 3% da frota – são movidos a energia limpa.
Especialistas apontam que o reajuste não resolve a raiz dos problemas. O sistema opera com contratos emergenciais desde 2016, quando a última licitação venceu. Em julho do ano passado, o presidente da Artesp, André Isper Rodrigues Barnabé, prometeu uma nova licitação para mudar o modelo de remuneração das empresas.
"Mais importante é a licitação. Criando uma nova licitação, a gente obriga a nova concessionária a transportar de uma maneira diferente", afirmou Barnabé. O plano é alterar a forma de pagamento do serviço, que hoje é por passageiro, para um modelo que remunere pelo transporte efetivamente realizado, desincentivando a operação com menos ônibus e mais lotados.
Enquanto a nova licitação não sai, passageiros de trajetos longos, como entre Guarulhos e a capital, já pagam quase R$ 10 por viagem. A encarregada de limpeza Jéssica Camila dos Santos resume o sentimento de muitos: "Se for aumentar, tem que melhorar os ônibus. Tem muito ônibus quebrado, precário. Não é só aumentar".