Trem Porto Alegre-Gramado: R$ 4,5 bilhões em investimento privado para viagem de 1 hora
Trem Porto Alegre-Gramado: R$ 4,5 bi em investimento privado

Trem entre Porto Alegre e Gramado deve custar R$ 4,5 bilhões com investimento 100% privado

Um novo projeto ferroviário está sendo desenvolvido para conectar Porto Alegre a Gramado, na Serra Gaúcha, com um investimento total estimado em R$ 4,5 bilhões, proveniente exclusivamente de recursos privados. A iniciativa, que promete revolucionar a mobilidade na região, deve transformar a paisagem das áreas rurais gaúchas com a construção de viadutos, pontes e túneis, proporcionando uma viagem de pouco mais de uma hora entre os dois destinos. A previsão é que o trem entre em operação apenas em 2032, marcando um marco significativo na história do transporte regional.

Estações e paradas estratégicas

O projeto inicialmente contempla duas estações principais. Em Porto Alegre, será construída uma estação elevada, conectada ao Aeroporto Salgado Filho por uma passarela tematizada de 700 metros de comprimento. Já em Gramado, a estação ficará ao nível do solo, localizada na Avenida das Hortênsias, entre Gramado e Canela. Além dessas, a Sultrens Transportes Ferroviários planeja implementar duas paradas exclusivas dentro de novos condomínios residenciais que serão erguidos na região entre Igrejinha e Gramado.

A ideia é oferecer uma opção de moradia na Serra Gaúcha com conexão direta de trem a Porto Alegre, atendendo tanto a turistas quanto a residentes que trabalham na capital. O traçado definitivo da ferrovia ainda está em fase de definição, com previsão de conclusão até junho. Um estudo preliminar indica um caminho mais curto, partindo do Aeroporto Salgado Filho e passando por áreas rurais de cidades como Canoas, São Leopoldo, Novo Hamburgo e Nova Hartz, até alcançar Gramado.

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Minimização de impactos e atração turística

Equipes de especialistas nas áreas ambiental, ferroviária, geotécnica e urbanística estão trabalhando na definição do trajeto, com o objetivo de minimizar as desapropriações, que são de responsabilidade financeira da Sultrens. "Quanto menos a gente desapropriar, melhor para o projeto e melhor para os atuais proprietários", destaca Renato Ely, administrador da empresa.

Concebido principalmente para atender à demanda turística, o trem não será "parador" como o Trensurb, que opera na Região Metropolitana. A proposta é que a própria viagem se torne uma atração. "O usuário vai chegar no aeroporto, e em 15 minutos, no máximo, ele vai estar na plataforma do trem. É uma viagem agradável, visualmente muito bonita. A primeira atração da Serra Gaúcha vai ser pegar o trem no Salgado Filho", afirma Ely.

Detalhes operacionais e cronograma

O investimento de R$ 4,5 bilhões será totalmente privado, com uma concessão para exploração da ferrovia que poderá durar até 99 anos. Cada viagem terá capacidade para transportar até 250 passageiros, em um percurso que incluirá 15 pontes e viadutos, além de nove túneis. O cronograma da Sultrens prevê a conclusão do projeto básico de engenharia nos próximos meses e a obtenção da licença prévia até o início de 2028.

A expectativa é que a operação do trem comece no segundo semestre de 2032, mais de 60 anos após a interrupção da antiga linha férrea que ligava a capital à Serra, em 1963. O valor da passagem ainda não foi definido e será calculado próximo ao início da operação. No entanto, a empresa adianta que haverá tarifas diferenciadas para diferentes perfis de usuários, como turistas, moradores dos novos condomínios que usarão o trem para trabalhar em Porto Alegre e estudantes.

Licenciamento ambiental em andamento

O projeto avançou recentemente com a emissão de autorização pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) para que a Sultrens realize um levantamento detalhado da fauna ao longo dos 83 quilômetros do traçado previsto. Esta autorização é um passo fundamental no processo de licenciamento ambiental da obra.

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A empresa terá o prazo de um ano para conduzir os estudos, que incluem campanhas em todas as estações do ano para identificar peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos, inclusive os de hábitos noturnos. Os resultados gerarão o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), seguindo os marcos da Lei 14.273/2021, que estabelece prazos para as licenças prévia, de instalação e de operação.

O objetivo é dimensionar e mitigar os impactos da ferrovia, com previsão de realocação de espécies, se necessário. Segundo Ely, a empresa obteve as autorizações para desenvolver as pesquisas de campo. "Esse relatório, após submetido à audiência pública e eventualmente revisado, vai ser então submetido à Fepam, que analisará. Depois da aprovação definitiva, haverá, sim, a licença prévia para a implantação do trem", explica o administrador.