Teste operacional de ligação viária em Petrópolis ainda aguarda autorização da ANTT
O teste operacional da ligação viária entre os bairros Bingen e Quitandinha, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, anunciado pela prefeitura municipal para começar em março, continua dependendo de autorização formal da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A proposta, que prevê a implantação de uma faixa reversível na BR-040 durante duas horas diárias no período da tarde, enfrenta questionamentos técnicos e preocupações da comunidade local.
Processo de autorização em andamento
Durante audiência pública conduzida pelo Ministério Público Federal que discutia a concessão da BR-040, a Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes (CPTrans) foi questionada sobre as autorizações necessárias para a realização do teste experimental. Na ocasião, o órgão municipal informou que ainda não havia recebido a liberação da ANTT e da Polícia Rodoviária Federal.
Em nota enviada ao g1 nesta terça-feira (11), a ANTT confirmou que recebeu a solicitação da prefeitura de Petrópolis para alteração operacional no trecho da BR-040, mas esclareceu que o pedido permanece em análise técnica e que até o momento não foi concedida autorização para implementação da medida.
A Polícia Rodoviária Federal, por sua vez, informou que já concedeu autorização para a realização do teste experimental, que servirá para levantar dados sobre a viabilidade da mudança na configuração do tráfego na região.
A prefeitura de Petrópolis afirmou que o processo de formalização das autorizações junto à ANTT e à PRF está em andamento e que os testes somente serão iniciados após a conclusão dessas etapas e a liberação oficial dos órgãos responsáveis pela rodovia federal.
Preocupações dos moradores do bairro Amazonas
Desde o anúncio inicial do projeto, moradores dos bairros Amazonas e Parque São Vicente têm demonstrado séria preocupação com os impactos potenciais da medida. A Associação de Moradores do bairro Amazonas emitiu nota alertando que a comunidade não possui estrutura adequada para receber o aumento do fluxo de veículos previsto com o desvio.
Segundo a entidade representativa dos moradores, as ruas locais apresentam diversas deficiências estruturais:
- Falta de calçadas adequadas para pedestres
- Ausência de manutenção regular das vias
- Sinalização de trânsito insuficiente ou ineficiente
- Carência de redutores de velocidade
Os moradores destacam ainda que crianças e idosos utilizam diariamente espaços comunitários como o parquinho e a quadra esportiva, que ficam próximos à via que receberia o fluxo adicional de veículos. A comunidade também abriga equipamentos públicos importantes, incluindo o CRAS Quitandinha e uma unidade do Programa de Saúde da Família, além de minas d'água utilizadas por residentes que ainda não contam com abastecimento encanado regular.
Questionamentos sobre segurança e mobilidade
Para os representantes da comunidade, trazer o fluxo de veículos de uma rodovia federal para dentro do tecido urbano do bairro pode colocar a população local em situação de risco. Eles argumentam que a infraestrutura atual não foi projetada para suportar o volume de tráfego que seria redirecionado pela medida experimental.
Outro ponto levantado pelos moradores refere-se à ausência de circulação de ônibus na rota experimental proposta. Eles questionam como ficarão os usuários do transporte público durante o período de testes, já que o desvio poderia afetar as rotas regulares de ônibus que atendem a comunidade.
O projeto da prefeitura prevê o funcionamento experimental da faixa reversível por duas horas diárias, entre 17h e 19h, período tradicionalmente considerado de pico no fluxo veicular. A proposta tem como objetivo conectar os bairros Bingen e Quitandinha, buscando alternativas para melhorar a mobilidade urbana na região serrana do Rio de Janeiro.
