Demolição de pedágios tradicionais marca nova era nas rodovias Imigrantes e Anchieta
A concessionária Ecovias confirmou a demolição das tradicionais praças de pedágio da Rodovia dos Imigrantes e da Rodovia Anchieta, um marco histórico para o sistema viário do estado de São Paulo. Esta mudança radical visa implantar o sistema de cobrança automática free flow, que deve começar a operar integralmente a partir do mês de julho, modernizando a experiência dos milhares de motoristas que trafegam diariamente por essas importantes vias.
Como funcionará o novo sistema de cobrança
No sistema free flow, as cancelas e cabines de atendimento serão substituídas por pórticos equipados com câmeras de alta definição e sensores avançados. Esses dispositivos farão a leitura automática das placas dos veículos, permitindo que o tráfego flua sem interrupções. A instalação desses pórticos já está programada para ocorrer até o final de fevereiro, com posicionamentos estratégicos: no quilômetro 29 da Rodovia dos Imigrantes, em ambos os sentidos, um pouco antes da atual praça de pedágio, e no quilômetro 33 da Rodovia Anchieta, dois quilômetros após o pedágio existente.
Para a Anchieta, os trabalhos de instalação dos sensores terão início já no próximo fim de semana, embora a cobrança efetiva pelo free flow só seja iniciada no dia 1º de julho. Uma mudança significativa no valor do pedágio também foi anunciada: o custo total do Sistema Anchieta-Imigrantes, atualmente fixado em R$ 38,70, será dividido em duas partes iguais de R$ 19,35 – uma para a descida e outra para a subida da serra.
Opiniões divididas entre os motoristas e adaptações necessárias
Motoristas entrevistados pela TV Globo demonstraram reações mistas em relação à novidade. "Eu acho prático, mas gera muita fila", comentou um usuário, refletindo preocupações com possíveis congestionamentos durante o período de adaptação. Outro criticou: "Acho que pelo ter tirado o funcionário, ainda continua bem salgado", questionando se a remoção de custos com pessoal trará benefícios tarifários reais para os consumidores.
A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) ainda está avaliando como proceder com a Operação Comboio, acionada tradicionalmente em situações de neblina intensa, quando os veículos são parados exatamente no pedágio para descer a serra com escolta. "A gente tem alguns sensores e vai trabalhar a partir da tecnologia", explicou Raquel França Carneiro, diretora da Artesp, indicando que soluções tecnológicas estão sendo desenvolvidas para manter a segurança mesmo sem as estruturas físicas.
Expansão do free flow em São Paulo e novidades no pagamento
Com a desativação da praça de pedágio da Rodovia dos Imigrantes, o estado de São Paulo passará a contar com 15 praças de cobrança automática. Até o momento, os motoristas podiam pagar o pedágio de duas formas principais: através de TAGs eletrônicas ou acessando os sites individuais de cada concessionária. A grande novidade é o lançamento do site Siga Fácil, uma plataforma unificada criada pela Artesp.
Ao acessar o Siga Fácil e informar a placa do veículo, o condutor consegue realizar o pagamento de qualquer uma das rodovias paulistas que utilizam o sistema free flow. É importante destacar que o motorista que não possui TAG tem um prazo de 30 dias para efetuar o pagamento da tarifa, sob risco de multa de R$ 195,23 e acréscimo de 5 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Em uma medida temporária, o Governo de São Paulo, através da Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), ampliou para 90 dias o prazo de pagamento das tarifas do sistema free flow para passagens realizadas até 31 de dezembro de 2025. Isso significa que os usuários que circularam no ano passado sem TAG têm três meses, contados a partir da data de passagem pelo pórtico, para regularizar seus débitos.
Visão especializada e perspectivas futuras
Luiz Vicente, engenheiro de transportes e professor da Unicamp, enfatiza que a tecnologia free flow representa uma tendência global irreversível. Entre os benefícios citados estão a melhoria no fluxo do trânsito, a redução da poluição atmosférica e a possibilidade de cobrança proporcional ao trecho efetivamente percorrido pelo motorista. Vicente também defende que, com a diminuição dos custos de manutenção das praças de pedágio, as tarifas deveriam ser revisadas para beneficiar os usuários, além da distribuição gratuita de TAGs.
"Porque em função da redução do custo, você tem condição da cobrança ser automática", argumenta o especialista. A Artesp confirmou que mantém diálogos com as concessionárias sobre a viabilidade de oferecer TAGs gratuitamente aos motoristas, uma medida que poderia facilitar ainda mais a transição para o novo sistema.
Vale ressaltar que as motocicletas continuarão isentas do pagamento de pedágio, e os pedágios laterais da Imigrantes, localizados na entrada de cidades como São Bernardo do Campo e Diadema, não sofrerão alterações no momento. A implantação do free flow pela gestão do governador Tarcísio de Freitas começou em 2024, e até o final de 2025, São Paulo já contava com 37 praças de pedágio eletrônico sem cancelas instaladas. A meta do governo estadual é atingir 58 pórticos de free flow em operação nas rodovias paulistas até o ano de 2030, consolidando uma nova era na mobilidade e na gestão de infraestrutura viária.