Vidraceiro de 26 anos morto por motorista de ônibus em João Pessoa é enterrado
Vidraceiro morto por motorista de ônibus em JP é enterrado

O vidraceiro Matheus de Souza Soares, de 26 anos, foi enterrado na tarde desta sexta-feira (24) no Cemitério Santa Catarina, no Bairro dos Estados, em João Pessoa. Ele morreu após ser atropelado por um ônibus na quinta-feira (23), no bairro do Cuiá, na Zona Sul da capital paraibana. O caso, que começou com uma discussão de trânsito, chocou a família e amigos.

Identificação e perfil da vítima

Matheus era vidraceiro e havia aberto a própria empresa há cerca de quatro meses. Descrito pela esposa, Ana Beatriz, como um homem alegre, dedicado e cheio de planos, ele era conhecido por seu sorriso fácil e disposição para ajudar. “Era um ser especial, fora do normal. Sempre apoiava todos que precisavam, dizia ‘você consegue, eu te ajudo’”, contou ela ao g1.

O acidente

Segundo a Polícia Militar e a Polícia Civil, o atropelamento ocorreu após uma discussão de trânsito entre Matheus e o motorista do ônibus, Carlos Eliezer Pereira de Carvalho. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o ônibus atropela o motociclista. O motorista fugiu do local, mas foi preso em flagrante horas depois. Ele deve responder por homicídio doloso (quando há intenção de matar) e lesão corporal contra duas pessoas.

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Relação do casal

Matheus e Ana Beatriz se conheceram na escola em 2018 e retomaram o contato em 2020. O primeiro encontro foi em 19 de julho de 2021, data que marcou o início da vida a dois. “Desde esse dia, nunca mais nos largamos. A gente vivia junto para tudo (...) Eu tenho certeza que fui amada até o último suspiro de forma verdadeira. Ele era a minha alma gêmea. Tínhamos uma conexão de outras vidas”, relembrou a esposa.

Sonhos interrompidos

Matheus era determinado e sonhava em mudar de vida com a esposa. Além do trabalho, gostava de assistir vídeos na internet, passar tempo em casa e praticar jiu-jítsu, esporte no qual havia conquistado recentemente um grau na faixa. Também era ligado à igreja, onde atuou como obreiro.

O dia do acidente

Na manhã do acidente, o casal seguiu a rotina. Matheus tomou café com a esposa e a deixou no trabalho. Um detalhe chamou a atenção de Ana Beatriz: “Ele não costumava comer na mesa, sempre comia no sofá. Mas nesse dia sentou comigo. Disse que não conseguia comer cedo, tomou só o cappuccino”. Horas antes, ele comentou em tom de brincadeira sobre um quase acidente: “amor, eu ia virando estampa de camisa”. Mais tarde, foi buscar a esposa no trabalho e, no caminho, ocorreu o atropelamento.

Prisão do motorista

Carlos Eliezer Pereira de Carvalho teve a prisão preventiva mantida após audiência de custódia e foi encaminhado para a Penitenciária Desembargador Flóscolo da Nóbrega (presídio do Róger), em João Pessoa. Segundo o processo, ele já havia sido preso no ano passado por jogar um ônibus contra o carro de uma mulher “diversas vezes”. A defesa do suspeito informou que não iria se pronunciar.

Enterro e despedida

O corpo de Matheus foi velado na casa de familiares, no bairro dos Ipês, e sepultado no fim da tarde de sexta-feira no Cemitério Santa Catarina. A esposa e familiares prestaram homenagens, pedindo justiça.

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