Na Paraíba, a corrida pela segunda vaga ao Senado esquenta nos bastidores. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta um dilema entre apoiar Veneziano Vital do Rêgo, do MDB, ou Nabor Wanderley, do Republicanos, enquanto o ex-governador João Azevêdo, do PSB, já tem o endosso presidencial consolidado e lidera todas as pesquisas de opinião divulgadas até o momento.
Nabor é pai do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, também do Republicanos. Veneziano é irmão do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU). Lula não quer desagradar nenhuma das duas influentes famílias, mas a tentativa de manter equidistância pode acentuar a divisão do voto governista entre ambos. Essa fragmentação abre uma janela de oportunidade para um quarto nome: Marcelo Queiroga, do PL, ex-ministro da Saúde do governo Jair Bolsonaro.
Estratégia de Queiroga
O médico cardiologista avalia que a disputa entre Veneziano e Nabor “tende a gerar sobreposição de eleitorado e ineficiência na conversão de capital político em votos”. Para Queiroga, isso cria “uma janela objetiva de oportunidade competitiva, ao reduzir o limiar necessário para consolidação de uma candidatura alternativa”, como a dele.
Em declaração à reportagem, Queiroga afirmou que sua candidatura se insere “no campo do voto de opinião, ancorado em uma base ideológica mais definida, ligada ao eleitorado de centro-direita e ao bolsonarismo”. Ele destacou que esse segmento “tem apresentado sinais de expansão, impulsionado tanto pela reorganização nacional desse campo quanto por movimentos recentes de desgaste do governo federal na região”.
Inspiração no Ceará
O ex-ministro rememorou a eleição ao Senado no Ceará em 2018, também com duas vagas por estado, como inspiração. Na ocasião, a fragmentação de candidaturas tradicionais abriu espaço para Eduardo Girão, à época no PROS e hoje no Novo, superar o ex-presidente do Senado Eunício Oliveira, cacique do MDB conhecido nacionalmente.
Queiroga também afirmou que fará campanha contra dois candidatos com “forte lastro de emendas parlamentares”, mas fez a ressalva de que a indicação de repasses, por si só, “não é suficiente para garantir hegemonia eleitoral”. Confiante na força do bolsonarismo, ele se ampara na “tensão entre mobilização material (‘verba’) e mobilização simbólica (‘verbo’)”
“A atual configuração eleitoral na Paraíba favorece candidaturas com identidade programática clara e capacidade de mobilização de voto de opinião, sobretudo diante de um campo adversário dividido”, declarou Queiroga.



