A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) negou, por unanimidade, o recurso do policial penal Raimundo Nonato Veloso Neto, condenado em setembro de 2024 pela morte do jovem Wesley Santos da Silva durante a Expoacre 2023. A decisão, tomada nesta quinta-feira (21), mantém a pena de 19 anos e 10 meses de prisão.
Argumentos da defesa
A defesa do policial havia solicitado a anulação do julgamento popular, alegando que a condenação dos jurados contrariava as provas dos autos. Também apontou supostas contradições na decisão do Conselho de Sentença. No entanto, os desembargadores entenderam que os jurados decidiram com base em uma das versões apresentadas durante o julgamento, não havendo irregularidades que justificassem a anulação.
Crimes mantidos
Com a negativa do recurso, Raimundo Nonato permanece condenado por homicídio qualificado contra Wesley Santos, lesão corporal grave contra a namorada da vítima, Rita de Cássia, e importunação sexual. Ele também perdeu o cargo de policial penal. Anteriormente, em abril de 2025, a Câmara Criminal já havia negado um pedido de liberdade ao réu.
Relembre o caso
Wesley Santos foi morto no dia 8 de agosto de 2023, após ser baleado na madrugada do dia anterior. Ele estava com a namorada Rita de Cássia, que também foi ferida por disparos, durante uma confusão no Parque de Exposições Wildy Viana. Em outubro de 2023, a denúncia do Ministério Público foi aceita pela Justiça, tornando o policial réu. Wesley comemorava seu aniversário de 20 anos com a namorada e amigos na noite do crime.
Julgamento e reação da família
O júri popular ocorreu nos dias 17 e 18 de setembro de 2024, em Rio Branco, com a oitiva de 19 testemunhas. Familiares e amigos de Wesley acompanharam o julgamento usando camisetas com a foto do jovem e frases pedindo justiça. O pai da vítima, Rivaldo Jaime, passou mal antes do início do julgamento e precisou de amparo. Iza Souza, mãe de Wesley, declarou à imprensa: “A gente não aceitava menos que isso. O nosso advogado era aquele lá de cima. Eu falei que aqui se faz, aqui se paga, e Deus cobrou”.
A defesa sustentou que o policial agiu em legítima defesa, citando laudos periciais e depoimentos de policiais militares. Já a acusação e a família da vítima afirmaram que o crime ocorreu após o policial assediar a namorada de Wesley durante a festa.



