A Polícia Civil da Paraíba identificou divergências nos depoimentos prestados por Willis Cosmo, amigo da idosa Milce Daniel Pessoa, de 72 anos, cujo corpo foi localizado em uma região de mata em Bayeux, na Grande João Pessoa, nesta quarta-feira (29). O homem, que foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos, é a última pessoa que esteve com a vítima antes de seu desaparecimento.
Contradições nos horários
O delegado Douglas García, responsável pelo caso, afirmou em entrevista à TV Cabo Branco que as inconsistências estão relacionadas aos horários mencionados por Willis Cosmo. Segundo ele, o homem indicou que saiu do Hospital Metropolitano com a idosa por volta das 10h30 ou 11h da manhã da última quarta-feira (22) e seguiu para uma área de mata para colher mangas. No entanto, o trajeto entre o hospital e o local não levaria mais de 15 minutos, mas Willis afirmou que chegaram apenas por volta das 13h.
“Diversas pessoas foram ouvidas, familiares, deram detalhes de horários. Sabemos que do Hospital Metropolitano para cá não passa de 15 minutos. E se uma pessoa sair de lá por volta de 10h30, 11h, não chegaria aqui 13h. Isso é uma pergunta que precisa ser respondida. O senhor Willis trouxe algumas respostas, mas será confrontado com outras pessoas ouvidas e com câmeras de segurança”, explicou o delegado.
Reconstituição do trajeto
Na terça-feira (28), as autoridades refizeram o percurso com Willis Cosmo, desde o hospital até a área de mata, cronometrando o tempo. O delegado destacou que, em todas as simulações, não foi possível chegar ao local no horário informado pelo homem. “Ele narrou que não parou em nenhum local, veio diretamente para cá. Isso causou muito estranhamento”, ressaltou.
Apesar das contradições, a Polícia Civil não trata Willis Cosmo como suspeito, mas como testemunha-chave, por ter sido o último a ver a idosa com vida. Ele continua sendo ouvido para esclarecer os fatos.
Corpo encontrado e identificação preliminar
Milce Daniel Pessoa estava desaparecida desde a manhã do dia 22, após acompanhar Willis em uma consulta médica. O corpo, em avançado estado de decomposição, foi reconhecido pelo genro da idosa, que confirmou características como a roupa, a cor das unhas e as maçãs do rosto. O delegado informou que exames complementares serão realizados para confirmação oficial da identidade.
“Existem procedimentos primários e secundários para identificação do cadáver. Até o momento, foram confirmados a cor das unhas, o vestido verde e uma pulseira que ela usava”, detalhou García.
Investigação em andamento
As buscas pela idosa contaram com apoio do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e cães farejadores. Na segunda-feira (27), perícias realizadas no carro de Willis Cosmo encontraram fios de cabelo e um fragmento de tecido da mesma cor do vestido da vítima. O material foi recolhido para análise laboratorial. A casa do homem também foi periciada, mas a polícia não informou detalhes sobre os motivos das perícias ou se ele é considerado suspeito.
A perita Elaine Soares, do Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB), explicou que a perícia busca microvestígios, como manchas de sangue e pelos humanos, que possam estar relacionados ao caso. Os fios de cabelo passarão por exames para determinar se pertencem à idosa.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que aguarda os resultados das perícias para esclarecer as circunstâncias da morte de Milce Daniel Pessoa.



