Família de eletricista morto por carro de sargento da PM em Roraima exige justiça
A família de José Misael Alves de Sousa, eletricista de 49 anos, mobilizou-se nesta quinta-feira (19) em frente à Delegacia de Caracaraí, na região Sul de Roraima, para cobrar justiça pela morte do parente. O trabalhador faleceu após ser atingido por um veículo conduzido por um sargento da Polícia Militar, de 37 anos, em um acidente ocorrido na segunda-feira (16).
Protesto com faixas e questionamentos
Durante o ato, os manifestantes exibiram faixas e cartazes com frases como "Queremos justiça!", "Por que não fizeram o teste do bafômetro?" e "Por que não realizaram a perícia?". Um sobrinho da vítima, de 31 anos, que preferiu não ser identificado, declarou à reportagem que a família busca responsabilização do policial militar envolvido.
"O que a família quer é que a Justiça seja feita e que esse PM seja responsabilizado pelo que fez. Porque, querendo ou não, ele cometeu um crime ao dirigir embriagado", afirmou o familiar. Ele complementou: "Talvez, se não estivesse alcoolizado, o acidente não teria sido tão grave e não teria tirado a vida do nosso tio. A embriaguez afetou a consciência e a percepção dele na hora, o que acabou agravando a situação. Praticamente, nosso tio já saiu morto do local do acidente".
Detalhes do acidente e investigação
O acidente ocorreu no cruzamento da Rua Estelito Lopes com a Avenida Bem Querer, no bairro Nossa Senhora do Livramento, em Caracaraí. Segundo relatos, José Misael trafegava de motocicleta quando foi atingido pelo carro do sargento. Ele foi socorrido em estado grave, mas não resistiu aos ferimentos, falecendo por politraumatismo e traumatismo cranioencefálico.
Dois boletins de ocorrência foram registrados sobre o caso. No primeiro, o sargento afirmou à PM que a vítima atravessou a via "de forma repentina" da direita para a esquerda, causando a colisão. O militar acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para prestar os primeiros socorros. No segundo boletim, consta a morte de José Misael, ocorrida por volta das 1h15 da madrugada seguinte.
A Polícia Civil divulgou uma nota na terça-feira (17), em que o delegado titular Bruno Gabriel Costa esclareceu que "tais circunstâncias administrativas não descaracterizam o fato nem afastam a apuração das responsabilidades decorrentes do acidente, as quais serão devidamente investigadas no âmbito do Inquérito Policial". A corporação informou que, em razão do óbito, será instaurado inquérito para apurar as circunstâncias e eventual responsabilidade criminal.
Questionamentos sobre a perícia e localização do PM
Os familiares conseguiram conversar com a delegada substituta do município, que garantiu total atenção ao caso, representando o delegado titular. No entanto, persistem dúvidas sobre a condução das investigações iniciais.
A PM relatou no primeiro Boletim de Ocorrência que os veículos envolvidos foram retirados do local da batida e movidos por cerca de 30 metros, "motivo pelo qual não foi possível o acionamento da perícia". Após a confirmação do óbito, uma equipe da PM fez buscas para localizar o sargento envolvido e levá-lo à delegacia, mas ele não foi encontrado.
Durante o atendimento da ocorrência, foi constatado que o eletricista não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e que sua moto estava com o licenciamento atrasado desde 2023, necessitando ser removida ao pátio da corporação.
A família continua mobilizada, exigindo transparência e celeridade nas investigações, enquanto aguarda respostas formais da Polícia Civil e do delegado titular de Caracaraí sobre os próximos passos do caso.