Abandono do prédio da antiga delegacia gera revolta e medo entre moradores
Moradores dos bairros Umuarama e Custódio Pereira, em Uberlândia, denunciam o abandono do prédio onde funcionava a antiga Delegacia Regional da Polícia Civil. Desativado desde dezembro de 2017, o imóvel apresenta graves sinais de depredação e, segundo relatos, tem sido alvo frequente de invasões, o que aumentou significativamente a sensação de insegurança na região.
Vídeo flagra tentativa de arrombamento
Um vídeo cedido à TV Integração mostra o momento em que dois suspeitos tentam arrombar uma das portas laterais da antiga delegacia. Nas imagens, é possível ver os indivíduos forçando a porta e tentando quebrar o vidro para acessar o interior do prédio. Sem sucesso, eles seguem caminhando pela calçada. Ao perceberem que estão sendo observados, olham na direção de quem faz a gravação, e a filmagem é interrompida.
Moradores relatam medo constante
Segundo moradores e comerciantes vizinhos, esse tipo de situação tem se tornado frequente desde que o prédio ficou desativado. O aposentado João Batista Marques, que mora há 40 anos na região, comentou: "No início da minha vinda pra cá como morador, eu considerava um lugar seguro e agradável pra morar, independente da existência da delegacia ou não. A partir de uns cinco anos pra cá, quando houve um desmantelamento da segurança da delegacia, virou um caos. Isso aqui virou terra de ninguém".
Polícia Civil e Governo do Estado não se manifestaram
A TV Integração entrou em contato com a Polícia Civil de Minas Gerais, responsável pelo prédio, e com o Governo do Estado, mas não houve retorno até a última atualização desta matéria. A reclamação dos moradores sobre a insegurança no local também foi encaminhada à Polícia Militar (PM). Em nota, a corporação informou que o patrulhamento na região é realizado diariamente por viaturas e que, diante das demandas, o policiamento será reforçado. A Polícia Militar destacou ainda a importância do registro de ocorrências, ferramenta utilizada para orientar e direcionar a atuação dos militares.
Depredação e insegurança afetam comerciantes e moradores
Quem passa pelo local encontra sinais claros de abandono. As paredes estão descascadas, janelas e portas quebradas, além de fiação exposta e sujeira acumulada. Do lado de fora, o mato alto toma conta da calçada, dificultando a passagem de pedestres. Os impactos desse abandono são sentidos pelos vizinhos, que também sofrem prejuízos constantes.
A secretária Vanda Lúcia da Costa, que trabalha há mais de 30 anos em uma oficina nas proximidades, relatou os prejuízos com furtos: "Depois que abandonou, virou ponto de drogas aqui e já roubou a nossa oficina semana passada, retrasada e essa semana agora. Eles entram, carregam fio, tirou todos os fios dos aparelhos. Está muito difícil isso aqui pra gente, não só pra mim, mas como todas as pessoas que têm comércio, diversas pessoas que moram. É muito difícil. Depois que ficou abandonado ali, a gente não tem sossego não, a gente não dorme".
O empresário Marcelo Augusto Pereira, que mora e trabalha na região, também relatou que o abandono do imóvel tem impactado diretamente o dia a dia de quem vive no entorno e critica a falta de providências do poder público. "Virou local de uso de drogas, pessoal está morando aqui dentro, estão roubando tudo o que tem e o que pode aqui, inclusive de dia. Toda a vizinhança está sendo roubada. É um prédio largado, abandonado à sorte e o entorno aqui também está sendo abandonado. A minha sensação é que parece que Uberlândia, como a segunda maior cidade do estado, não tem uma capacidade mínima de ter uma solução pra esse local. Isso eu acho um absurdo", disse o comerciante.
Risco também para pedestres
Além da insegurança, a falta de manutenção também afeta a mobilidade urbana. Em alguns trechos, o mato alto impede a passagem pela calçada, obrigando pedestres a caminhar pela rua. Em um cruzamento próximo, a vegetação também prejudica a visibilidade de motoristas, aumentando o risco de acidentes.
Em 2024, após uma reportagem da TV Integração mostrar a situação de imóveis públicos abandonados, foi informado que havia expectativa de reforma do prédio para uso da Polícia Civil. No entanto, até o momento, nenhuma intervenção foi realizada, e o imóvel segue sem utilização, perpetuando o problema para a comunidade local.



